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De colecionador de dinossauros à paleontólogo da Vila Encantada; conheça a trajetória de Cezar Santos

Longe dos clichês de Hollywood, o especialista explica a importância de simplificar a ciência para as crianças e o sentimento de conectar o passado da Terra ao presente

16 de junho de 2026
De colecionador de dinossauros à paleontólogo da Vila Encantada

De colecionador de dinossauros à paleontólogo da Vila Encantada - Foto: Thiago Marques/Jornal de Pomerode

Para a maioria das crianças dos anos 1990, os dinossauros ficaram guardados nos cards colecionáveis de chocolate. Para o biólogo Cezar Santos, o fascínio pelos gigantes do passado pegou um caminho mais longo, passando pela saúde pública e pelo trabalho em zoológicos, até se transformar em profissão. Hoje, como paleontólogo da Vila Encantada, em Pomerode, ele lidera o setor de educação do parque com uma missão clara: traduzir a linguagem técnica da ciência para o público de forma acessível. Longe dos clichês de aventura de Hollywood, o trabalho do especialista revela como o estudo de espécies que viveram milhões de anos antes da humanidade serve como uma ferramenta poderosa para entender o presente e transformar a experiência de quem visita o parque.

Veja a entrevista completa com o paleontólogo da Vila Encantada:

Como começou seu interesse pela paleontologia?

Cezar Santos – Não foi uma linha reta. Eu fui uma criança que gostava bastante de dinossauro, colecionava, lembro que tinha uma coleção de miniaturas, colecionava cards do chocolate Surpresa, que era muito famoso na década de 90. Quando eu precisei mudar para São Paulo, doei todos os meus dinossauros para os meus amigos ali da época, como se fosse uma despedida, e esse amor ficou adormecido. Como eu gostava tanto de dinossauros quanto da natureza de forma geral, acabei me formando em Biologia. Trabalhei em outras áreas da biologia, com saúde pública, e até no Zoo Pomerode, até vir a oportunidade de trabalhar na Vila Encantada, que foi quando me especializei em paleontologia. Foi como resgatar aquela criança que colecionava dinossauros lá aos 10 anos. E aí voltou todo esse amor pelos dinossauros e pela paleontologia.

Como funciona o trabalho de paleontólogo?

O paleontólogo é um cientista. Então, o nosso trabalho é voltado para observações e pesquisas. As pessoas acreditam muito que a vida do paleontólogo é uma grande aventura, que ele sempre tá em escavações, mas essa é uma parte pequena do nosso trabalho. Paleontólogos também trabalham em universidades, museus e até escrevendo artigos científicos e no próprio parque, como é aqui na Vila Encantada, na área da educação. O paleontólogo realiza também a divulgação científica, que é simplificar o conteúdo técnico e científico para ficar mais acessível para as pessoas, que também é o que nós fazemos no parque.

Qual a importância do paleontólogo dentro da Vila Encantada?

Não conheço uma outra maneira mais poderosa de mudar a vida de uma pessoa que não seja por meio da educação. A importância de ter um setor de paleontologia aqui no parque é simplificar essa linguagem para as crianças e os visitantes. Fazê-los entender que existem outras espécies, que inclusive viveram muito antes da gente. Então, eu acho que é extremamente importante ter um setor de educação e paleontologia.

Qual o sentimento de trabalhar com a paleontologia?

O sentimento é de muita gratidão de poder trabalhar algo que faz parte de quem eu sou, da minha formação como ser humano mesmo e das coisas que eu gosto. Gratidão também por compartilhar isso diariamente com quem visita o parque e com a nossa equipe. A gente tem uma equipe de monitores, então eu faço o treinamento deles. É uma equipe muito comprometida. Então, poder compartilhar esses sentimentos e conhecimentos — que não fazem parte apenas do meu lado profissional, mas de uma área pessoal muito importante da minha vida — é extremamente gratificante.

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