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Tradição, amizade e superação: a trajetória de Darci Krahn no bolão de Pomerode

Homenageada com a Comenda “Guido Belz”, atleta de Pomerode relembra trajetória iniciada nos anos 1970, marcada por conquistas, histórias inusitadas e o fortalecimento do bolão como tradição comunitária

6 de junho de 2026

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

A história do bolão em Pomerode se confunde com a trajetória de uma de suas mais dedicadas representantes. Aos 73 anos, Darci Krahn carrega consigo décadas de vivência no esporte, marcadas por conquistas, desafios e, sobretudo, um profundo vínculo com a comunidade. Indicada para receber a Comenda “Guido Belz”, a atleta simboliza uma geração que ajudou a consolidar a modalidade no município.

Natural de Pomerode, Darci iniciou sua trajetória no bolão em 1974, poucos anos após o casamento. O primeiro contato com o esporte não veio por tradição familiar direta, mas pelo convívio social proporcionado pelo clube.

“Foi depois com o meu marido, Mário Krahn. Eu casei em 1971 e ele já era sócio do clube, enquanto a minha sogra participava do bolão. Então eu fui junto com ela e eu gostei dessa diversão. Naquela época não tinha essas disputas ainda, de campeonatos. Era mais para tomar um café, conversar e se divertir. Mas foi ali que tudo começou, e assim eu continuei, cada vez mais envolvida.”

O que começou como lazer rapidamente se transformou em dedicação. Com o passar dos anos, Darci participou da formação de equipes femininas e passou a integrar competições regionais, ganhando destaque pelo desempenho.

“Depois eu estive em equipes femininas. Nós tínhamos um grupo grande, com mais de 20 mulheres participando. E assim fui entrando nos campeonatos. Outras equipes começaram a ver que eu jogava bem, e foram me chamando para disputar jogos maiores. Naquela época, existiam muitas equipes, era tudo muito movimentado, muito diferente de hoje.”

A atleta acumulou participações importantes nos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC), representando cidades como Pomerode, Timbó e Jaraguá do Sul. Entre as conquistas mais marcantes está um título nos anos 1990, defendendo Timbó.

No Clube Alto Rio do Testo, há uma foto com uma das equipes da qual Darci participou. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

“A conquista mais importante foi nos Jogos Abertos, quando Timbó foi campeão. Eu estava junto naquele ano, e foi muito especial. A gente criava laços muito fortes com as outras atletas, conhecia gente de várias cidades, como Jaraguá, Rio Negrinho, e isso ficava para a vida toda.”

Além das vitórias, Darci guarda na memória episódios que marcaram sua trajetória, como jogos decisivos e viagens cheias de imprevistos.

“Teve um jogo que eu nunca esqueço. Eu estava indo muito bem, fiz 19 pontos, mas na última bola fiz zero. Perdemos o jogo por causa disso. Aquilo ficou marcado. E também as viagens. Uma vez o ônibus abriu embaixo e as bolas saíram rolando pela estrada. Foi uma correria, algumas até se perderam. Eram tempos difíceis, mas muito divertidos.”

Um dos pilares de sua formação no esporte foi o contato direto com Guido Belz, referência no bolão local e nome que hoje batiza a comenda que Darci recebeu.

“Ele era uma pessoa muito divertida, mas também muito exigente. Ele me dizia que, se eu queria jogar bem, precisava seguir o treino dele. Colocava desafios, como acertar uma caixa de fósforo com a bola. E eu consegui. Ele me ajudou muito, foi meu professor e teve um papel fundamental na minha trajetória.”

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

 

O envolvimento com o bolão ultrapassou o âmbito individual e se tornou parte da vida familiar. O marido foi um grande incentivador e contribuiu inclusive para a estrutura do clube, enquanto os filhos também chegaram a praticar o esporte.

Atualmente, mesmo sem competir devido a limitações físicas, Darci segue presente no dia a dia do clube, participando ativamente das atividades e incentivando novas gerações.

“Hoje eu não jogo mais, mas estou sempre aqui. Ajudo na cozinha, venho nas sextas-feiras acompanhar os jogos, fico marcando pontuação. Para mim, isso é uma diversão. Em vez de ficar em casa, sozinha, eu estou aqui no meio das pessoas. Todo mundo me conhece, vem conversar, isso não tem preço.”

Ela também destaca a importância de manter o esporte vivo entre os jovens, defendendo o bolão como uma alternativa saudável e de convivência social.

“Eu incentivo muito os jovens a participarem. É uma forma de tirar eles das ruas, trazer para um ambiente familiar. A gente já recebeu crianças aqui, com bolas mais leves, para ensinar. Foi uma alegria ver eles jogando, se divertindo. Isso precisa continuar, o esporte não pode acabar.”

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Ao receber a notícia de que seria homenageada com a Comenda “Guido Belz”, como iniciativa do vereador Bernardo da Silva Fonseca, a emoção foi inevitável.

“Eu fiquei muito emocionada. Pensei: ‘puxa, lembraram de mim’. Tem tantos atletas, tanta gente boa, e me escolheram. Meu filho disse que eu merecia, por tudo que eu fiz. E ainda mais com o nome do Guido, que foi quem me ensinou. Isso torna tudo ainda mais especial.”

Para Darci, o bolão representa muito mais do que um esporte. É sinônimo de história, amizade e pertencimento. “Para mim, o bolão é uma emoção muito grande. Sempre foi. É uma coisa que vai ficar na minha memória para sempre. Não são só os jogos, mas as pessoas, as risadas, as histórias. Foi uma parte muito importante da minha vida, e continua sendo até hoje.”

Em meio às transformações do tempo e à redução no número de praticantes, histórias como a de Darci Krahn ajudam a manter viva a essência do bolão em Pomerode — um esporte que, mais do que pontuações, constrói laços que atravessam gerações.

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