Meio Ambiente

O “super El Niño” vai de fato acontecer? Entenda o que é o fenômeno e quais os principais impactos para a região de Pomerode

Previsões indicam alta probabilidade do fenômeno que causou a grande enchente de 1983; saiba como Pomerode se prepara para mitigar os impactos das chuvas

27 de maio de 2026
O "super El Niño" vai de fato acontecer? Entenda o que é o fenômeno e quais os principais impactos para a região de Pomerode

O "super El Niño" vai de fato acontecer? Entenda o que é o fenômeno e quais os principais impactos para a região de Pomerode - Foto: Envato Elements

A previsão de um dos fenômenos climáticos que mais afeta Santa Catarina vem preocupando meteorologistas e defesas civis em todo o Estado. O El Niño, conhecido por trazer nuvens extremamentes carregadas com chuva para a região, pode ser mais o forte em 150 anos, caracterizado por meteorologistas como um “super El Niño”. Conforme especialistas, o fenômeno pode até igualar 1983, um dos anos mais catastróficos para SC em relação a enchentes e cheias.

Mas afinal, o que é o fenômeno do El Niño e porque ele traz tanta chuva para Santa Catarina? Qual é a real previsão dos órgãos de monitoramento? O Jornal de Pomerode conversou com especialistas e buscou informações oficiais para sanar de uma vez por todas as dúvidas sobre os impactos diretos do fenômeno no Estado, motivo da preocupação de grande parte do povo catarinense.

O que é o fenômeno El Niño?

O El Niño, que significa “o menino”, em Espanhol, carrega esse nome devido a um fenômeno que começa a acontecer perto da data do Natal (25 de dezembro), caracterizado pelos cristãos como o nascimento do Menino Jesus, por isso o nome.

O fenômeno em questão é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, localizado geograficamente nas proximidades do Peru. Em anos normais, os ventos chamados alísios sopram constantemente de leste para oeste (da América do Sul em direção à Oceania), soprando essa água quente da superfície para o outro lado do oceano, permitindo que a água fria das profundezas suba na costa do Peru.

Já em anos que o El Niño acontece, esses ventos alísios enfraquecem ou até invertem de direção, por motivos que a ciência ainda não consegue explicar. Sem a força do vento para empurrar a água quente para longe, toda a região central e oriental do Pacífico Equatorial começa a esquentar de forma persistente.

Essa água aquecida começa a liberar muito mais vapor para a atmosfera e é transportado por correntes de vento e se transforma em massas gigantescas de nuvens e chuva.

De acordo com dados científicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), essa alteração na temperatura e na circulação do ar muda completamente o regime de chuvas em escala global, deslocando as áreas de tempestade.

“Durante o ano de El Niño, a probabilidade de ocorrer enchentes é maior do que em anos normais. Isso ocorreu em 1983, e aconteceu uma enchente em todo o estado de Santa Catarina que, na região do Alto Vale aqui, durou em torno de 45 dias. A água baixava e subia de forma constante”, relembra Ademar Cordeiro, professor da FURB e engenheiro hidrólogo.

Dependendo do nível do aquecimento das águas, o El Niño pode receber classificações como moderado, forte ou muito forte. Para ser caracterizado como muito forte, o nível de aquecimento precisa passar 2º acima da média histórica, como foi o caso do El Niño de 1982/1983, citado pelo professor Ademr.

Qual a probabilidade do “super El Niño” acontecer?

O National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) estima que as chances de acontecer um El Niño em 2026 são altas, mas ainda existe muita incerteza sobre a intensidade do fenômeno. Algumas simulações chegam a classificá-lo como muito forte, mas ainda não é possível afirmar que vai ser desta forma.

Ao longo do ano, conforme os monitoramentos forem avançando e as previsões se tornando mais certeiras, será possível afirmar com mais segurança a intensidade do fenômeno. Conforme as previsões do NOAA, as estimativas apontam:

  • 82% de chance do fenômeno surgir entre maio e julho;
  • 96% de chance de ele continuar ativo no fim de 2026 e início de 2027.

O órgão não confirmou a existência de um “super El Niño” e nem divulgou informações que confirmam a intensidade do evento climático, apenas apontou estimativas.

Como o fenômeno pode afetar a região de Pomerode?

Caso a previsão de um El Niño com forte intensidade se confirme, Pomerode, assim como grande parte do estado, poderá sofrer com cheias e enchentes devido a grande quantidade de chuva. De acordo com o professor Ademar, o ideal nessa situação seria o município adotar medidas de precaução: “é preciso dar uma limpada na calha do rio porque existem muitos entulhos e areias que impedem o escoamento. A medida antecipada que se pode fazer pela prefeitura é a limpeza das bocas de lobo, da tubulação e o alargamento dos ribeirões para a água escoar com maior volume”, afirma Ademar.

Em resposta a isso, a Prefeitura de Pomerode afirma que, desde o ano passado, já está realizando ações de prevenção contra as chuvas. O órgão diz ter desassoreado 10 quilômetros em bacias da região e projeta o desassoreamento de mais 6 quilômetros em bacias nos bairros Testo Rega, Pomerode Fundos e Ribeirão Herdt.

A prefeitura ainda afirmou estar em conversas com o Governo do Estado para o desassoreamento de aproximadamente 22 quilômetros do Rio do Testo, além da liberação de dispensa de licenciamento ambiental para acelerar os serviços de desassoreamento nas bacias do Vale do Selke Grande e do Ribeirão Areia, locais que possuem histórico de alagamentos.

A limpeza das bocas de lobo também está no cronograma da prefeitura. O órgão estima limpar mais de 7.000 bueiros com caminhões hidrojato para a desobstrução de galerias pluviais. Para combater as cheias, o município vai trocar os bueiros e tubulações antigas por modelos maiores e construir canais de desvio para escoar a água nos pontos mais críticos da cidade.

Na área de prevenção, a prefeitura está realizando a poda de árvores no Morro do Salto. Esse trabalho preventivo será ampliado em parceria com a Celesc para evitar que galhos e árvores caiam sobre a fiação, o que poderia cortar a luz de serviços essenciais, como hospitais e bombeiros.

Para reforçar o socorro, a Defesa Civil comprou um veículo 4×4 e um drone para fiscalizar áreas de risco pelo alto. Além disso, as equipes de resgate estão passando por treinamentos e os abrigos públicos já estão sendo revisados, conforme a prefeitura. Ainda de acordo com o órgão, a GETRAN está mapeando as ruas que costumam alagar para criar rotas alternativas e garantir que carros e ambulâncias consigam circular em segurança.

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