Polícia

PM se pronuncia após uso de spray de pimenta durante confusão em jogo em Rio do Sul

Polícia Militar e Santa Catarina Clube se manifestam sobre tumulto, intervenção policial e denúncias de racismo após a partida

9 de fevereiro de 2026

Foto: Rolf Jr. / Santa Catarina / Divulgação

A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), por meio do 13º Batalhão de Polícia Militar (13º BPM), divulgou uma nota oficial para esclarecer a atuação das guarnições durante a partida entre Santa Catarina e Barra, realizada no dia 7 de fevereiro, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí.

Segundo a corporação, a ação policial teve como principal objetivo o restabelecimento da ordem e a preservação da integridade física de atletas, membros da arbitragem, profissionais da imprensa, torcedores e demais envolvidos no evento esportivo.

De acordo com a PMSC, ao término da partida foi registrado um grande tumulto, com tentativas de invasão, arremesso de objetos, cusparadas e agressões físicas direcionadas à comissão de arbitragem, torcedores visitantes, delegação da federação, equipe visitante e policiais militares. Inicialmente, as guarnições tentaram conter a situação com ordens verbais, porém, sem sucesso.

Diante do risco de escalada da violência, a Polícia Militar informou que foi necessário o uso de agentes químicos, como spray de pimenta e granadas de efeito moral, classificados como Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO). Conforme a nota, esses recursos são previstos em protocolos nacionais e internacionais de controle de multidões e têm como finalidade criar uma “zona de exclusão”, evitando confrontos físicos diretos ou o uso de força letal.

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A corporação também destacou que respeita o direito constitucional à manifestação e ao protesto. No entanto, quando manifestações verbais evoluem para ameaças reais de invasão de campo, agressões a terceiros ou danos ao patrimônio, a intervenção policial se torna necessária para conter o distúrbio civil e preservar a segurança do perímetro.

Ainda conforme a PMSC, o uso de agentes químicos em ambientes abertos pode sofrer influência do vento, o que pode acabar atingindo pessoas que não estavam diretamente envolvidas no conflito. A Polícia Militar lamentou que profissionais da imprensa e torcedores pacíficos tenham sido afetados, mas reforçou que a medida foi essencial para evitar consequências mais graves dentro do estádio.

​“A PMSC reafirma seu compromisso com a segurança pública e informa que todas as ações de comando são revisadas para o aperfeiçoamento constante dos protocolos operacionais”, finaliza.

Santa Catarina Clube se pronuncia sobre o caso

Em nota oficial, o Santa Catarina Clube também se manifestou sobre os acontecimentos ocorridos durante e após a partida válida pelas quartas de final do Campeonato Catarinense. O clube afirmou receber os fatos com “tristeza, indignação e senso de responsabilidade”, destacando que o que deveria ser uma festa do futebol acabou marcado por polêmicas de arbitragem, tensão excessiva e episódios considerados inadmissíveis.

Confira na íntegra:

NOTA OFICIAL – SANTA CATARINA CLUBE

O Santa Catarina Clube vem a público se manifestar com profunda tristeza, indignação e senso de responsabilidade sobre os acontecimentos ocorridos no jogo das quartas de final do Campeonato Catarinense, realizado em Rio do Sul, no dia 07/02/2026, contra o Barra Futebol Clube.

O que deveria ser uma festa do futebol transformou-se em uma noite marcada por polêmicas de arbitragem, provocações, tensão excessiva e episódios inadmissíveis de discriminação.

Dentro de campo, decisões controversas da arbitragem e do VAR em momentos decisivos contribuíram para um clima de extrema tensão. Fora dele, a situação se agravou. Nossa torcida, que compareceu de forma pacífica para apoiar o clube, foi alvo de provocações reiteradas por atletas e membros da comissão técnica adversária, incluindo o uso irresponsável e desrespeitoso da tragédia das enchentes que atingem a população de Rio do Sul — um tema sensível que exige empatia e solidariedade, jamais deboche.

Ao término da partida, nosso atleta Hyan Klynsmann Moreira dos Santos foi vítima de ato racista cometido por um membro da torcida adversária, fato que nos causa repulsa absoluta. O agressor não pôde ser plenamente identificado, mas o atleta foi acompanhado até a delegacia para registro do boletim de ocorrência.

O Santa Catarina Clube não tolera, não relativiza e jamais se calará diante de qualquer forma de racismo. Isso ultrapassa o futebol e fere valores básicos de humanidade. Da mesma forma, nos solidarizamos com o Barra Futebol Clube pelo episódio de racismo sofrido por seu atleta Cléo Silva, reforçando que atos isolados não representam os princípios da instituição nem de sua torcida.

Manifestamos solidariedade às vítimas e ao povo de Rio do Sul, que enfrenta desafios muito maiores do que qualquer rivalidade esportiva.

Futebol precisa ser paixão, não medo. Disputa, não violência. Inclusão, nunca discriminação.

Santa Catarina Clube
Por um futebol mais justo, humano e seguro.

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