Atenção aos sinais: fonoaudióloga alerta para atrasos na fala e destaca importância da intervenção precoce
Fonoaudióloga Vanessa Ribeiro explica sinais, mitos e fatores que influenciam o desenvolvimento da linguagem infantil
Foto: Arquivo pessoal
A comunicação é um dos pilares do desenvolvimento social das crianças. É por meio dela que os pequenos criam vínculos, expressam emoções, aprendem a lidar com regras sociais e constroem relações.
Quando esse processo ocorre de forma adequada, o convívio se torna mais natural. Porém, dificuldades na fala e na linguagem podem gerar frustrações, isolamento e desafios no contato com outras crianças.
De acordo com a fonoaudióloga Vanessa Ribeiro, é fundamental que os pais e responsáveis estejam atentos aos primeiros sinais de atraso na fala. “A fala é uma das formas mais importantes de comunicação na infância. Quando há dificuldades, é essencial observar os indícios e buscar ajuda profissional”, destaca.
Sinais que indicam atraso na linguagem
Entre os principais indícios observados por profissionais estão:
• uso reduzido de palavras após os 2 anos;
• dificuldade para formar frases;
• fala pouco compreensível;
• pouca resposta ao chamado;
• falta de intenção comunicativa;
• ausência de gestos.
Segundo Vanessa, espera-se que a criança fale suas primeiras palavras por volta de 1 ano. Aos 18 meses, costuma ter cerca de 20 palavras, e até os 2 anos, aproximadamente 50 palavras ou mais, já formando combinações simples.
Desenvolvimento dos sons da fala
A fonoaudióloga explica que os fonemas seguem uma ordem aproximada de aquisição:
• 18 meses: /b/, /m/
• 2 anos: /p/, /t/, /d/, /n/
• 2 anos e 6 meses: /k/, /g/, /nh/
• 3 anos: /f/, /v/, /s/, /z/
• 3 anos e 6 meses: /x/ (ch), /j/ (ge, gi)
• 4 anos: /l/, /lh/, /rr/ e arquifonemas /s/ e /r/
• 5 anos: /r/ e grupos consonantais com /r/ e /l/
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“Quando esses sons não aparecem nas idades esperadas, é importante investigar as possíveis causas”, reforça Vanessa Ribeiro.
Fatores que prejudicam o desenvolvimento da fala
Um dos maiores desafios atuais, segundo Vanessa, é o uso excessivo de telas. “A tela não oferece troca comunicativa, contato visual ou turnos de fala. A criança precisa de interação real para desenvolver linguagem”, explica.
Outros fatores ambientais que podem contribuir para atrasos incluem:
• pouca interação verbal no dia a dia;
• ambientes barulhentos ou com TV ligada constantemente;
• pouco tempo de brincadeira ativa;
• respostas insuficientes às tentativas de comunicação;
• uso prolongado de chupeta ou mamadeira;
• pouco convívio social.
Esses elementos reduzem estímulos essenciais para o desenvolvimento da fala.
Como funciona a avaliação fonoaudiológica
A avaliação é detalhada e envolve observar o comportamento comunicativo, analisar expressão e compreensão oral, avaliar motricidade da fala e entender a rotina da criança. A partir disso, o profissional identifica as áreas que precisam de estímulo.
O tratamento, segundo Vanessa, melhora a comunicação, reduz frustrações, facilita interações sociais e favorece o desenvolvimento global. “Quanto mais cedo iniciarmos, melhores tendem a ser os resultados”, afirma.
Mitos comuns sobre fonoaudiologia
A fonoaudióloga destaca crenças que ainda dificultam a busca por ajuda:
• “Cada criança tem seu tempo”: embora haja variações, atrasos persistentes precisam ser avaliados.
• “Falar errado é normal até crescer”: erros que ultrapassam a idade esperada exigem acompanhamento.
• “Fono é só para criança”: o profissional atua com todas as idades, inclusive adolescentes e adultos, em questões como voz e articulação.

Vanessa Ribeiro, fonoaudióloga. (Foto: Arquivo pessoal)
O papel da família no tratamento
Vanessa reforça que a participação da família é essencial. “Quando os pais seguem orientações, estimulam a criança e fazem parte do processo, os resultados aparecem com muito mais consistência”, diz.
Relatos de mães que vivenciaram a evolução
“Cada pequena conquista tem um valor imenso” – Paola Nishimura, mãe de Lucas, 4 anos.
Paola conta que o filho sempre apresentou dificuldades para se expressar, o que gerava frustração para toda a família. “A fonoterapia se tornou uma das principais aliadas. Aos poucos, as palavras surgiram com mais clareza, as frases ficaram mais completas e ele ganhou confiança”, relata.
Ela afirma que a intervenção transformou a dinâmica familiar. “Ver meu filho se expressando melhor é a prova de que o trabalho da fonoaudióloga é essencial. Acredito que mais famílias deveriam ter acesso a esse acompanhamento.”
“Cada avanço enchia a gente de esperança” – Amélia C. Reinert Correa, mãe de Stefan, 4 anos.
Quando Stefan iniciou as terapias, falava muito pouco e tinha dificuldade de ser compreendido. “Isso nos deixava inseguros”, lembra Amélia.
Com a continuidade do tratamento, os resultados apareceram. “Hoje ele conta histórias, conversa, interage com outras crianças. A evolução é emocionante.”
A mãe deixa um recado para outras famílias: “Não tenham medo de buscar ajuda. Iniciar cedo faz toda a diferença. Cada passo é uma grande conquista.”