Saiba identificar riscos e evitar acidentes com águas-vivas nas praias de SC
Alta temporada aumenta registros de ocorrências; Corpo de Bombeiros orienta banhistas sobre riscos, espécies mais comuns e primeiros cuidados
Caravela Portuguesa (Foto: Portal de Zoologia)
Com a chegada da alta temporada de verão e o aumento do fluxo de turistas e moradores nas praias de Santa Catarina, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) reforça os cuidados para prevenir acidentes com águas-vivas. As ocorrências costumam crescer justamente nos períodos de maior concentração de banhistas, especialmente nos meses mais quentes.
De acordo com o CBMSC, as águas-vivas são animais marinhos com aparência semelhante a uma gelatina transparente ou arroxeada, dotados de tentáculos que, ao entrarem em contato com a pele humana, provocam uma forte sensação de ardência. A lesão é popularmente chamada de “queimadura”, mas trata-se, na verdade, de um envenenamento químico causado pela liberação de toxinas.
Espécies mais comuns em Santa Catarina
A espécie mais frequente no litoral catarinense é a Água-viva Reloginho (Olindias sambaquiensis). Quase invisível aos banhistas, ela representa maior risco de contato. Os registros ocorrem ao longo de todo o ano, com picos no final do inverno e na primavera/verão, especialmente em fevereiro e nos finais de semana. Após o Carnaval, o número de ocorrências diminui de forma significativa.
Conhecida popularmente como “Reloginho”, essa água-viva costuma permanecer na zona de rebentação e é trazida principalmente pelo vento sul. Quando esse vento persiste por um ou dois dias, a probabilidade de ocorrências aumenta. A espécie possui dois ciclos de vida por ano, com duração entre quatro e seis meses.

Espécie conhecida como “reloginho” (Foto: Leo Lagos)
Outra espécie que pode aparecer no litoral catarinense é a Caravela Portuguesa (Physalia physalis). Embora menos comum, ela chama atenção pelo flutuador azul intenso e por uma “vela” que auxilia no deslocamento. Seu veneno é mais potente e pode causar náuseas, vômitos e reações mais graves, que exigem atendimento médico. A Caravela é trazida pelo vento leste, oriunda do litoral nordestino, e em Santa Catarina tem maior incidência nos meses de dezembro e janeiro.
Diferenças nas lesões
A lesão causada pelo Reloginho provoca ardência moderada e costuma gerar inchaços arredondados na pele. Já o contato com a Caravela Portuguesa causa dor mais intensa e pode deixar marcas em forma de linhas. Para ambas as espécies, a corrente marítima é o principal fator que influencia sua presença, independentemente de calor ou chuva.
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Quais os riscos aos banhistas?
As águas-vivas possuem células urticantes chamadas cnidócitos, responsáveis por injetar toxinas quando entram em contato com a pele. Essas toxinas provocam dor, vermelhidão e inchaço e, em casos mais graves, podem causar náuseas e dificuldade respiratória. A sensação de ardência intensa faz com que o termo “queimadura” seja utilizado, embora o processo não seja térmico.
O que fazer em caso de contato com água-viva?
O CBMSC orienta que, ao sentir ardência ou visualizar a presença de águas-vivas na água, o banhista deve sair imediatamente do mar e procurar o posto de guarda-vidas mais próximo. Não é recomendado utilizar água doce ou outros líquidos no ferimento, pois podem agravar a dor e aumentar o risco de infecção. A limpeza deve ser feita apenas com água do mar.

Fotos: Divulgação / CBMSC
Nos postos de guarda-vidas, o vinagre é disponibilizado e tem eficácia cientificamente comprovada para aliviar os sintomas. Dependendo da gravidade do caso, o guarda-vidas pode acionar uma ambulância para atendimento médico.
Monitoramento e sinalização
As ocorrências com águas-vivas são registradas sempre que os guarda-vidas prestam atendimento a uma vítima. Além do socorro, o CBMSC atua de forma preventiva, sinalizando áreas com maior incidência por meio da bandeira lilás, que indica a presença desses animais. Locais sinalizados devem ser evitados pelos banhistas.

Foto: CBMSC / Divulgação
Como prevenir acidentes
Antes de ir à praia, a recomendação é consultar o aplicativo CBMSC Cidadão, disponível para iOS e Android, que informa quais praias estão com bandeira lilás. Também é importante observar a sinalização na areia, evitar áreas onde há águas-vivas mortas e permanecer próximo aos postos de guarda-vidas.
Com atenção às orientações e respeito à sinalização, é possível aproveitar o verão nas praias catarinenses com mais segurança e tranquilidade.