MPSC investiga clínica de Jaraguá do Sul após modelo relatar necrose e infecção por procedimento estético
Clínica interditada pela Vigilância Sanitária é alvo de inquérito e apuração do Ministério Público por suspeita de procedimentos invasivos sem alvará e falta de habilitação técnica
Foto: Karim Kamada/Arquivo pessoal
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou uma notícia de fato para apurar irregularidades e possíveis riscos sanitários em uma clínica estética de Jaraguá do Sul, no Norte do Estado. A investigação foi aberta após denúncias da Vigilância Sanitária e da Saúde do Trabalhador, que apontaram procedimentos invasivos sem alvará sanitário, condições precárias de higiene e o uso de canetas pressurizadas sem habilitação adequada.
A apuração é conduzida pela 9ª Promotoria de Justiça da comarca, com atuação nas áreas da saúde e do consumidor, e foi formalizada no dia 17 de outubro. Segundo o órgão, o objetivo é verificar se as práticas adotadas pela profissional responsável representam riscos à saúde pública e violam direitos dos consumidores.
De acordo com o relatório da Vigilância Sanitária, a proprietária do estabelecimento, de 46 anos, teria realizado procedimentos estéticos invasivos sem comprovação de formação técnica e apresentado apenas um “certificado incompleto”.
O uso da caneta pressurizada, que permite a aplicação de substâncias sem agulhas, foi registrado em auto de infração. O equipamento é considerado de risco elevado e só pode ser utilizado por profissionais habilitados, com registro junto à ANVISA.
A apuração busca garantir a segurança dos consumidores e verificar se houve descumprimento das normas sanitárias que visam proteger a saúde pública.
Modelo relata necrose e inflamação após procedimento
O caso veio à tona após o relato da modelo Karim Kamada, de 51 anos, que contou ter desenvolvido complicações graves depois de realizar um procedimento estético com enzimas aplicado por caneta pressurizada na clínica investigada.
“Optei por um procedimento estético com caneta pressurizada com enzimas, vendido como seguro e sem riscos”, afirmou Karim.
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Segundo a modelo, os procedimentos foram feitos em maio de 2025, e ela ainda sofre com dores e sangramentos. “Desde então, precisei passar por duas cirurgias e sigo em acompanhamento médico”, contou ao Portal g1.
Nos primeiros dias após as sessões, Karim relatou dores intensas, vermelhidão e febre local, mas a profissional garantia que era normal.

Foto: Karim Kamada/Arquivo pessoal
A modelo também afirmou que a profissional tentou evitar que ela buscasse atendimento médico. “Por isso demorei para ir. Quando fui, o médico disse que havia algo errado”, contou.
Karim ainda contou que não recebeu nota fiscal e não sabe qual substância foi aplicada. “Ela tentou evitar que eu procurasse um médico. Por isso demorei para ir. Quando fui, o médico disse que havia algo errado”, completou.
Clínica foi interditada e segue sob investigação
A Vigilância Sanitária de Jaraguá do Sul informou que a clínica foi interditada em 29 de julho, após constatar a ausência de alvará sanitário e documentos obrigatórios. Mesmo assim, uma nova denúncia em 8 de setembro apontou que as atividades continuavam, o que levou a uma nova fiscalização com apoio da Polícia Militar.
Na ocasião, o órgão lavrou um novo auto de infração e instaurou processo administrativo sanitário, que pode resultar em multas e outras penalidades previstas em lei.
O MPSC determinou diligências para verificar se houve regularização do estabelecimento, se os equipamentos utilizados possuem registro na ANVISA e se há responsáveis na cadeia de fornecimento das canetas pressurizadas.
Além disso, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a responsabilidade penal da profissional.
Fonte: Ministério Público de Santa Catarina – MPSC