Política

Câmara tem casa cheia na votação do PPA e Emendas são rejeitadas por possíveis falhas técnicas no processo legislativo

Entidades compareceram em votação na Câmara sob convocação de Vereador que propôs emendas com possíveis falhas técnicas

16 de setembro de 2025

Foto: Divulgação

Na sessão ordinária desta segunda-feira, dia 15 de setembro, a Câmara de Vereadores de Pomerode rejeitou, por maioria, o bloco de 15 emendas apresentado ao Plano Plurianual (PPA) 2025–2029. A decisão foi marcada por debates acalorados, nos quais se confrontaram posições sobre a legalidade das propostas e os impactos financeiros para o município.

O autor das emendas, vereador Jean Carlos Nicoletto (MDB), sustentou que o PPA seria o momento ideal para prever repasses a entidades locais, evitando surpresas futuras na Lei Orçamentária Anual (LOA). Ele argumentou que a Constituição garante ao vereador o direito de emendar o PPA e que, por isso, as propostas deveriam ser acatadas.“Conforme o Projeto do Plano Plurianual (PPA) 2025–2029, o exercício do orçamento é feito pelo executivo, mas os vereadores podem modificar a destinação dos recursos, conforme acharem necessário. O que não é permitido é aumentar as despesas. A Constituição garante que estas alterações podem ser feitas, o que eu propus. Fiz algumas emendas, retirando alguns recursos, por exemplo da Festa Pomerana e do gabinete do Prefeito, que são constitucionais e podem ser propostas. Tanto que iremos apresentar as emendas para o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) novamente. Não considero a movimentação algo político, é em prol da comunidade e das entidades. Creio que houve falta de experiência dos demais vereadores para a avaliação das emendas”, disse.

Contudo, a maioria dos parlamentares contestou a iniciativa, apontando falhas no processo legislativo e riscos jurídicos. Vereadores como Isadora Zinnke (NOVO), Jair Conrado Klebber (PL), Geliandro Fideles Ribeiro (NOVO) e Marco Aurélio Sudbrack Desessards (PP) defenderam que alterações substanciais em planos orçamentários exigem nova audiência pública, em respeito à transparência e à participação popular. Eles também destacaram que o PPA é um instrumento de planejamento estratégico para quatro anos, e não o espaço adequado para detalhar repasses específicos a entidades, tarefa que cabe à LOA e às emendas impositivas previstas em lei.

O vereador Jair Conrado Klebber (PL) lembrou que mudanças profundas sem nova audiência já resultaram em anulações de votações anteriores, como ocorreu com o Plano Diretor. Já Marco Aurélio Sudbrack Desessards (PP) alertou para a falta de estudos de impacto financeiro e para o risco de “criar uma ilusão” ao destinar valores inexistentes, especialmente em relação a recursos projetados da Festa Pomerana.

Na prática, a votação em bloco reuniu todas as emendas em uma única decisão, o que levou à rejeição integral das propostas. Apesar de críticas de oposicionistas quanto a esse formato, os vereadores defenderam que a medida preserva a legalidade e respeita o plano de governo eleito pela maioria da população.

A condução da sessão evidenciou dois caminhos: de um lado, a tentativa de remanejar recursos no PPA sem audiência pública prévia; de outro, a defesa de um processo orçamentário mais transparente e juridicamente seguro. Ao rejeitar as emendas, os vereadores que pediram cautela, evitaram, segundo eles, repetir erros que poderiam comprometer a validade do orçamento e gerar questionamentos futuros do Ministério Público, como no caso do Plano Diretor que teve a sua sessão anulada.

O Contador concursado da Prefeitura, Diego Arruda Irigoite, esclareceu os aspectos técnicos em relação a votação do PPA:

“É importante os legisladores estarem atentos à vinculação de receitas e à sua finalidade específica. Conforme estabelece o artigo 8º da Lei de Responsabilidade Fiscal, os recursos com destinação legalmente vinculada devem ser utilizados exclusivamente para o fim a que se destinam.”

Com a decisão da Câmara, o texto do PPA foi aprovado na forma encaminhada pelo Executivo, assegurando a observância dos ritos legais e da responsabilidade fiscal. O instrumento passa a orientar o planejamento estratégico do município para os próximos quatro anos, servindo como base para a elaboração da LDO e da LOA.

A próxima sessão ordinária será realizada na segunda-feira, dia 22 de setembro, às 19h, no plenário da Câmara Municipal de Pomerode.

Notícias relacionadas