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Quem é Felca e como o vídeo sobre adultização infantil chegou ao Congresso Nacional?

Vídeo de quase 50 minutos expõe influenciadores e levanta debate no Congresso sobre exploração infantil online

12 de agosto de 2025

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O youtuber e criador de conteúdo Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, de 27 anos, natural de Londrina, no Paraná, e atualmente residente em São Paulo, movimentou as redes sociais e o cenário político brasileiro com a publicação de um vídeo sobre a chamada “adultização” de crianças em plataformas digitais.

Publicado na quarta-feira, dia 6 de agosto, o conteúdo tem cerca de 50 minutos e apresenta denúncias sobre a erotização precoce de menores, com críticas diretas a influenciadores digitais que exploram crianças para obter engajamento e lucro nas redes. Felca também abordou a atuação de empresas e algoritmos que, segundo ele, favorecem a disseminação desse tipo de material.

A gravação rapidamente viralizou. Em menos de uma semana, acumulou entre 26 e 31 milhões de visualizações no YouTube, ultrapassando a audiência de diversos canais tradicionais de comunicação. A repercussão atraiu apoio de personalidades como a autora Glória Perez e a cantora Claudia Leitte, que destacaram a urgência de debater e enfrentar o problema. Especialistas em proteção infantil e uso da internet também se pronunciaram, apontando falhas graves no controle das big techs sobre conteúdos que envolvem menores de idade.

Repercussão política imediata

O impacto foi além do ambiente digital. No Congresso Nacional, a denúncia mobilizou parlamentares de diferentes partidos e orientações ideológicas. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou que a pauta sobre o tema será priorizada ainda nesta semana.

Somente na segunda-feira, dia 11 de agosto, foram apresentados 17 projetos de lei com foco no combate à exploração infantil online. As propostas incluem desde a responsabilização de pais e responsáveis até medidas de endurecimento contra plataformas que permitam a divulgação desse tipo de conteúdo.

No Senado, a discussão também avançou. Parlamentares defenderam a criação de uma “Lei Felca” para atualizar e endurecer punições contra a erotização de menores em redes sociais. Entre os apoiadores estão nomes como Marcos Pontes e Zenaide Maia. A primeira-dama Janja Lula da Silva também se manifestou, afirmando que a regulamentação das redes é “urgente” e que a proteção de crianças não deve ser alvo de disputas políticas.

Especialistas alertam para papel dos algoritmos

Pesquisadores de universidades e profissionais ligados à segurança digital destacaram que o problema não se resume à fiscalização dos pais ou responsáveis. Segundo eles, as próprias plataformas criam, por meio de algoritmos, um ambiente que favorece a circulação de conteúdos que sexualizam crianças, devido ao potencial de gerar engajamento e, consequentemente, lucro.

O debate reacendeu a necessidade de revisar leis já existentes, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para contemplar de forma mais clara os desafios impostos pelo ambiente digital atual.

Mobilização inédita

Analistas políticos avaliam que a mobilização provocada pelo vídeo de Felca é uma das mais rápidas e abrangentes já registradas no país em torno de um tema relacionado à internet. A convergência de figuras públicas, artistas, especialistas e parlamentares de diferentes correntes indica que a pressão sobre as redes sociais e sobre o próprio Congresso tende a crescer nos próximos meses.

A expectativa é que, além das mudanças legislativas, plataformas sejam obrigadas a adotar mecanismos de monitoramento mais rígidos e que campanhas de conscientização sobre os riscos da “adultização” de crianças ganhem força em âmbito nacional.

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