Esporte

A arte versátil

Na primeira matéria da série sobre artes marciais, conheça o Jiu Jitsu, uma das lutas mais praticadas em todo o Brasil

13 de novembro de 2015

Acredita-se que o Jiu Jitsu tenha sido introduzido no Japão no século 17, pelo monge chinês Chen Yuan-Ping. No Jiu Jitsu, usa-se a força e o peso do adversário contra ele mesmo. São utilizados golpes traumáticos e de defesa pessoal. Porém, uma das principais características da luta são os golpes de imobilização do adversário, através de golpes de articulação, como estrangulamentos e torções das articulações, como braço e tornozelo. São proibidas atitudes como: atingir os órgãos genitais, morder, dedos nos olhos, puxar cabelo, e torcer dedos. No Brasil, o Jiu Jitsu foi trazido no ano de 1915, pelo japonês Esai Maeda Koma, mais conhecido como Conde Koma. Em 1916, Koma conheceu Gastão Gracie, que se tornou uma grande figura do Jiu Jitsu no país. Gastão, então, levou seu filho mais velho, Carlos Gracie, na época com 15 anos, para aprender a arte com o japonês.

Os Gracie aprimoraram as técnicas, sendo que, a maior diferença para o Jiu Jitsu tradicional, é que os japoneses privilegiam as quedas, já a técnica dos Gracie prioriza as lutas no chão. Atualmente, o Jiu Jitsu brasileiro é mais difundido que o original, sendo inclusive, exportado para o Japão e para o resto do mundo.

Faixas – O Jiu Jitsu é divido nas seguintes faixas: branca, cinza, amarela laranja, verde, azul, roxa, marrom, preta, preta e vermelha, vermelha e vermelha de 10º grau.

As faixas pretas são divididas na seguinte forma: 1° Dan Preto, 2º Dan Preto, 3º Dan Preto, 4º Dan Preto, 5º Dan Preto, 6º Dan Vermelha e Preta, 7º Dan Vermelha e Preta, 8º Dan Vermelha e Preta, 9º Dan Vermelha e 10º Dan Vermelha (somente decanos).

Tonny Silva Marinho, professor de Jiu Jitsu na Academia Oficina do Corpo e faixa Roxa, comenta sobre o seu início no esporte. “Nunca tive oportunidade no Ceará, de onde vim. Aqui em Pomerode o esporte não é tão forte. Lá em São Paulo é muito valorizado. A galera busca bastante e existem vários projetos de incentivo. Comecei com o judô. Vim numa competição aqui em Blumenau e acabei me apaixonando pelo Jiu Jitsu. Comecei a competir, passei bons anos na faixa branca. Apanhei muito. Não tem como aprender sem apanhar. Com o passar do tempo fui me graduando, nunca desisti, tento dar o meu máximo”.

O professor comenta que dar aulas não estava em seus planos, mas abraçou a causa. “Nunca quis ser professor, mas agora sinto necessidade. O ‘Jiu” é a minha paixão. O treino tira o stress, é uma alegria”.

Sobre o projeto das aulas de Jiu Jitsu, Tonny comenta que logo dará início a um grupo de treinos. “Agora estamos parados, tínhamos em torno de 20 alunos, mas por alguns problemas tivemos que parar. Eu estou tentando reerguer o grupo, serei o novo professor. Vai vir uma pessoa graduada, mas a maioria das aulas serão ministradas por mim. Sempre sonhei em ser lutador. Tentei o Jiu, me trouxe muita alegria, muita conquista”.

O atleta também comenta a importância que vê no esporte e no Jiu Jitsu, na vida dos jovens. “Tive alunos que não faziam nada da vida e mudaram completamente, deixaram de lado o sedentarismo. A maioria procura o esporte pela saúde e acaba gostando. Muitos alunos nos procuram para tentar mudar de vida, sair do mau caminho. A disciplina é um dos fatores mais importantes. Tem alguns projetos que mudam completamente a vida das pessoas. O Jiu Jitsu e outras lutas podem tirar o jovem das drogas, formar uma família… cada um vai se ajudando.

Nas competições, Tonny acredita que o Jiu Jitsu é de extrema importância para o MMA. “Jiu é tudo, é a base. Os lutadores de hoje em dia são bons em pé, mas no chão deixam muito a desejar. Por exemplo a última luta do Anderson Silva. Mesmo faixa preta, ele quase foi finalizado. Ter uma base de chão é extremamente importante, o Jiu Jitsu traz isso. É uma peça fundamental não só na luta como no dia a dia. Ter conhecimento em autodefesa é muito bom. Você aprende a se controlar, vejo muita garotada que não sabe o que é uma briga e quer sair brigando. Quem tem autocontrole jamais vai procurar uma briga. Todas as lutas ensinam isso, e o Jiu, além de tudo, tem o lado muito forte do preparo emocional”.

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