Um talento fora do ramo da medicina
Doutor Raphael Lahr, urologista, fala sobre sua trajetória esportiva com o judô, modalidade que iniciou na adolescência
Foto: Arquivo pessoal
O esporte presente na vida agitada de um médico que atua em Pomerode. Raphael Lahr, urologista do UroCentro de Jaraguá do Sul e da clínica Vitalitat de Pomerode, tem uma trajetória marcada pela dedicação ao judô desde a infância até a participação no Campeonato Mundial de Veteranos em 2024, realizado em Las Vegas. Sua relação com o esporte começou aos seis anos de idade, no interior de São Paulo, em um clube poliesportivo próximo à sua casa.
Foi por iniciativa própria que decidiu ingressar na modalidade, após se interessar pelas atividades esportivas oferecidas no local.
“Eu me lembro de procurar diretamente o professor e pedir para participar das aulas”, relembra Raphael. A partir desse primeiro contato, a dedicação ao judô se intensificou. Em pouco tempo, ele passou a se destacar nas competições, o que o levou a treinar em uma academia de alto rendimento em Araçatuba. Com uma rotina intensa, participava de campeonatos em intervalos curtos, às vezes quinzenais ou semanais, o que proporcionou experiência em torneios locais, estaduais e interestaduais. Durante a infância e adolescência, Raphael acumulou conquistas expressivas. Em 1991, sagrou-se campeão paulista, e em 1993 alcançou o vice-campeonato estadual. Além dos títulos individuais, integrou equipes que obtiveram sucesso em competições em diferentes regiões.
“Essas experiências foram fundamentais para minha formação dentro e fora do tatame”, afirma. Ainda jovem, teve a oportunidade de representar o Brasil em duas competições na Argentina, ampliando sua vivência internacional.
No último ano do ensino médio, Raphael tomou a decisão de pausar os treinos de judô para se dedicar aos estudos. Na primeira tentativa, não conseguiu aprovação no vestibular, o que o levou a realizar um ano de cursinho em São Paulo, período em que se manteve afastado do esporte. Posteriormente, foi aprovado no curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Durante a graduação, retomou os treinos, embora de forma mais esporádica, conciliando a prática do judô com as exigências acadêmicas. “Conseguia treinar uma ou duas vezes por semana, quando o tempo permitia”, explica.
Após concluir a faculdade, mudou-se para Jaraguá do Sul, onde iniciou sua carreira como médico. Nos primeiros anos na cidade, precisou interromper novamente os treinos em função das demandas profissionais e familiares, especialmente após o nascimento de seu filho mais velho, Bento. Foi apenas em 2015 que decidiu retomar os treinamentos de maneira regular, mesmo com uma rotina intensa de trabalho. Desde então, conseguiu manter uma frequência mínima de uma vez por semana no tatame.

Foto: Arquivo pessoal
A pandemia de COVID-19 trouxe novos desafios, mas também oportunidades. Com a suspensão das atividades presenciais, Raphael aproveitou o período para se dedicar aos estudos teóricos exigidos para a graduação na faixa preta, por meio de cursos online. Durante esse processo, contou com o incentivo do professor Cláudio (Ceicinho), da Seido Kan Judô, de Jaraguá do Sul, que o orientou em sua preparação. Em dezembro de 2021, recebeu a faixa preta, um marco significativo em sua trajetória no judô. “Foi um momento muito especial, que representou anos de esforço e dedicação”, destaca.
Em 2022, Raphael voltou a competir oficialmente, desta vez na categoria Veteranos. No Campeonato Brasileiro realizado em Joinville (SC), conquistou a terceira colocação, um resultado que marcou sua volta aos torneios nacionais. No mesmo ano, sagrou-se campeão estadual de Santa Catarina na categoria Veteranos. Em 2023, o Campeonato Brasileiro de Veteranos foi cancelado, o que adiou a oportunidade de buscar novos títulos em nível nacional.
O ano de 2024 trouxe novos desafios e conquistas. Em Anápolis (GO), Raphael participou novamente do Campeonato Brasileiro de Veteranos e, mais uma vez, garantiu a terceira colocação. Esse resultado lhe rendeu a classificação para o Campeonato Mundial de Veteranos, realizado em novembro em Las Vegas, nos Estados Unidos. Participar de um torneio mundial representou a realização de um sonho cultivado desde a infância. “Desde pequeno, sempre tive o desejo de competir em um mundial. Estar lá foi a concretização de um objetivo que parecia distante”, afirma.
Ao longo de sua trajetória, Raphael destaca o apoio da esposa como um fator essencial para conciliar a vida profissional, familiar e esportiva.
“Ela sempre esteve ao meu lado, desde os tempos difíceis da faculdade em Curitiba até as viagens para competições. Sem esse suporte, nada disso seria possível”, reconhece.
