Esporte

Uma mudança de vida, promovida pela corrida

Moradora de Pomerode conta como correr na rua a ajudou a melhorar sua qualidade de vida e fala das experiências já vividas

16 de março de 2025

Foto: Arquivo pessoal

Mudar hábitos em nossa vida é uma atitude que exige coragem e força de vontade. E para Marlene Hackbarth, moradora de Pomerode, isso não faltou ao decidir começar a praticar corrida de rua.

No ano de 2023, ela e a irmã decidiram que iriam adotar novos hábitos em sua vida e, desta forma, melhorar a qualidade da vida delas. “Minha irmã tinha pressão alta, e perguntou se eu não gostaria de fazer academia com ela. Mas não gosto de frequentar academia, e prefiro fazer exercícios ao ar livre. Por isso, disse que aceitaria fazer caminhadas com ela e começamos a praticar este exercício em novembro de 2023”, relembra Marlene.

Assim, as duas começaram a caminhar juntas e, no decorrer do tempo, perceberam que poderiam evoluir na caminhada, inclusive fazendo pequenos trechos com corrida, para começar. “O início é desafiador, até o corpo se acostumar, então eu determinava algumas distâncias, no início trechos menores, intercalando com caminhadas. O primeiro desafio é realmente acostumar o seu corpo”, afirma.

Aos poucos, evoluindo a cada dia e semana que se passavam, Marlene começou a correr distâncias cada vez maiores e em um ritmo muito melhor. Ela e a irmã também passaram a fazer parte do grupo de corrida da academia Olympia, em abril de 2024, recebendo a assessoria para o esporte e o acompanhamento do professor Rodrigo.

A rotina de treinos, segundo Marlene, é intensa e, embora pareça difícil e seja desafiadora algumas vezes, ela garante que são momentos de diversão e relaxamento, mesmo com o cansaço ao fim de um treino.

“Nossa rotina é muito aplicada, regularmente. Quando há provas das quais vamos participar, o treino é diário, e exige um esforço mental, porque ainda há o trabalho durante o dia. Além disso, a rotina inclui alimentação balanceada e sem consumo de bebida alcoólica. Mas eu sou muito feliz com estes hábitos e poder treinar com o meu grupo, na assessoria, é muito bacana. Também fico contente por ter a minha vida desta forma, hoje, com a corrida, os treinos e também por ter pessoas que me apoiam e incentivam ao meu lado”, garante Marlene.

O início de um novo estilo de vida, em 2023, na realidade, foi um retorno de Marlene à prática esportiva, já que costumava correr há alguns anos, além de praticar futebol. Inclusive, nesta primeira fase de sua relação com a corrida, chegou a disputar algumas provas de rua.

“Minha primeira participação em uma corrida de rua foi há oito anos, quando fiz a Meia Maratona de Pomerode, na prova dos 6 km. Mas depois de voltar a esta rotina, em 2023, a primeira prova neste novo estágio foi em janeiro de 2024, em Indaial, na Corrida de Verão, e nela eu fiz 5 km, participando com minha irmã e uma amiga. O sentimento em terminar a prova é o melhor possível. Quando decidimos mudar de vida, cruzar a linha de chegada é a sua maior conquista, independente da distância percorrida. Não existe sensação melhor”, frisa.

Foto: Arquivo pessoal

 

E foi em outubro do ano passado que Marlene se desafiou, participando da prova mais longa em sua trajetória, até então, com a Meia Maratona de Pomerode, em outubro de 2024, com um percurso de 21 km.

“Foi a minha primeira vez correndo uma meia maratona, e foi um desafio imenso. Me preparei durante três meses com treinos diários. Quando terminei, olhei para trás, me dei conta de que tudo valeu a pena, pois foi uma mudança de vida, com ritmo novo, mas com resultados extremamente gratificantes. Tenho hábito de correr em provas, 10 ou 12 km e o terminar os 21 km foi a melhor sensação possível”, garante.

A conquista foi além de terminar a prova. Marlene também foi a melhor colocada entre as pomerodenses, nesta prova. Tal resultado serviu como combustível para novos desafios, como por exemplo um treino no dia 02 de janeiro deste ano, no qual os corredores foram desafiados pelo professor a percorrerem 25 km por Pomerode, com subidas e descidas.

“Foi cansativo, por ser início do ano, mas foi muito gratificante também. E pretendo me aventurar em distâncias maiores, agora em 2025. Neste ano, vamos juntar um grupo com algumas pessoas que fará o Desafio da Serra do Rio do Rastro, para correr 67 km, correndo 25 km no sábado, subindo a serra, e os 42 km no domingo, com o desafio de fazer os últimos 12 km subindo a serra. Com certeza vamos nos preparar e concluir este grande desafio, que será incrível e o qual vamos superar, sem deixar de focar nas provas durante o ano, que fazemos em nossa região”.

Foto: Arquivo pessoal

 

Marlene também comenta o quanto a parte mental é fundamental para que os desafios da corrida sejam superados. Para a corredora amadora, é preciso sempre afirmar a si mesmo que é capaz de superar qualquer desafio, além de ser algo que deve ser levado para o dia a dia, também na vida profissional.

“A corrida nos mostra que precisamos ter cabeça e corpo com consciência de que somos capazes. Eu diria, para quem deseja começar na corrida, ou em qualquer outro esporte, que comece, mesmo que seja aos poucos. Vivemos em uma sociedade doente, na qual as pessoas adoram criticar em redes sociais, mas que ao invés de ficarem assim, deveriam procurar um esporte, seriam pessoas muito mais felizes. Vivemos plena felicidade na corrida, a rotina no início é difícil, mas isso ocorre em qualquer esporte, e no fim vale a pena”, enaltece.

Marlene também comenta que espera que as autoridades incentivem os esportes principalmente nas escolas, porque os jovens precisam do esporte. “Corrida te dá liberdade, depois de um dia de trabalho, principalmente. Moramos em uma cidade abençoada, com lugares maravilhosos e espero que as pessoas percebam isso. Uma dica é: quem puder, comece, seja qual for o esporte com o qual você tenha a identificação, pois é a melhor maneira possível de ter qualidade de vida”.

A corredora amadora encontrou nas corridas de rua uma mudança de vida e mais qualidade no seu dia a dia. Para ela, não há nada melhor do que terminar um dia estressante de trabalho, chegar em casa, colocar o tênis e sair para correr.

“Temos que ser gratos por tudo o que temos, independente da situação em que estamos. Sou grata por estar fazendo o que muitos gostariam de fazer, mas estão impedidos por questão de doença ou outro problema. Agradeço a Deus pela oportunidade que tenho todos os dias, à minha família, em especial à minha filha, que sempre me acompanha nas corridas, em todas as provas. Também ao professor Rodrigo, que nos proporciona loucuras boas, que rendem momentos felizes, bem como ao meu grupo da academia Olympia, além de vários amigos que, quando decidi mudar de vida, não pararam de me apoiar, como também aos novos, que fiz por causa da corrida”, finaliza.

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