Esporte

Bocha Paralímpica: uma competição muito especial

Eles teriam todos os motivos para desistir de seus objetivos. Presos às suas cadeiras de rodas, essas pessoas com necessidades especiais poderiam se render diante das dificuldades impostas pela vida. No entanto, são chamados de “especiais” e fazem jus a essa condição. Prova disso foi a competição realizada no dia 16 de agosto, em Pomerode, que reuniu 46 atletas, de 11 cidades catarinenses.

1 de junho de 2015

Eles teriam todos os motivos para desistir de seus objetivos. Presos às suas cadeiras de rodas, essas pessoas com necessidades especiais poderiam se render diante das dificuldades impostas pela vida. No entanto, são chamados de “especiais” e fazem jus a essa condição.
Prova disso foi a competição realizada no dia 16 de agosto, em Pomerode. O 3º Festival de Bocha Paralímpica reuniu 46 atletas, vindos das cidades de Jaraguá do Sul, Guaramirim, Barra do Sul, Itajaí, Balneário Camboriú, Rio do Sul, Lages, Joinville, Timbó, São José e Pomerode. O palco desta vez foi o recém-inaugurado Ginásio de Esportes Fridolino Antônio Mayer, anexo à Apae. O local recebeu os paratletas, verdadeiros exemplos de superação. Entre eles, jovens e adultos, homens e mulheres, portadores de deficiências físicas ou intelectuais, mostraram que superar limites é parte integrante do seu dia-a-dia.
Para a diretora da Apae de Pomerode, Riacarla Rauh, receber a competição foi muito importante para a escola. “O ginásio era um sonho que, com o empenho de todos, tornou-se realidade. Esta é a primeira competição de muitas que iremos sediar, o que vai incentivar ainda mais os nossos alunos a praticar esportes. Estou muito feliz, pois nosso esforço começa a ser recompensado”, disse.
Idealizada pela Associação Pomerodense de Deficientes (Apodef), por meio da professora Ilsani K. Baptista, a competição fez parte da 3ª etapa do Circuito Catarinense de Bocha Paralímpica. “O evento leva o nome de Pomerode a toda Santa Catarina. Nossa instituição sempre buscou dar as melhores condições aos portadores de necessidades especiais, na busca da valorização e de sua autoestima. Todos participam com alegria e disposição, o que é muito gratificante”, declara o presidente da Apodef, Vilmar Ramos.

Participação pomerodense
Nosso município esteve representado pelo atleta Charles Fehrmann, um “veterano” na Bocha Paralímpica. Dono de diversos títulos em competições pelo estado afora, Charles é referência na classe BC1. Vindo de um segundo lugar na 2ª etapa do Circuito Catarinense, em Joinville, desta vez o paratleta terminou a competição na quarta colocação. Mas nada que tirasse o seu bom humor. “Quem compete tem duas possibilidades, ganhar ou perder. Para um ganhar o outro tem que perder e hoje eu perdi. Mas tudo bem, na próxima vez, vou me esforçar mais ainda”.
Daniela Zinke, de apenas sete anos, também de Pomerode, está seguindo os passos de Charles. Desta vez ela não competiu, mas aproveitou a oportunidade para aprimorar as técnicas, visando disputas futuras.

Atleta mais que especial
Quem esteve no Ginásio de Esportes Fridolino Antônio Mayer prestigiando os jogos, pôde assistir belos exemplos de superação e testemunhar cenas que ficarão guardadas na memória e no coração.
Um destes exemplos é Alessandra Küster, da cidade de Jaraguá do Sul. O que a torna diferente dos demais é o fato de jogar Bocha com os pés, uma vez que todas as suas atividades são realizadas com os membros inferiores. “Ela não fala, mas consegue comunicar-se bem e tem um nível de concentração muito alto”, diz a sua assistente, Andrea Sanson.
Alessandra pratica a modalidade desde 2010 e participa dos Parajasc e circuitos desde então, sempre com bons resultados. “Com o esporte, ela ganha em todas as áreas, desde a socialização até na autonomia de expressão. Mesmo sendo um esporte de difícil adaptação para a sua condição, a Bocha proporcionou a ela somente coisas positivas”, comemora Andrea.

Saiba mais sobre a Bocha Paralímpica
A bocha é um jogo competitivo que pode ser praticado individualmente, em duplas ou em equipes. A partida é realizada com um conjunto de bolas de bocha que consiste em seis azuis, seis vermelhas e uma bola branca, em uma quadra especialmente marcada de superfície plana e lisa. A sua finalidade é a mesma do bocha convencional, ou seja, encostar o maior número de bolas na bola-alvo.
A modalidade estreou no programa paralímpico oficial em 1984, na cidade de Nova Iorque, com disputas individuais no feminino e masculino. Em Atlanta (1996), foi incluído o jogo de duplas. A primeira medalha paralímpica brasileira veio no Lawn Bowls, um tipo de bocha na grama. Róbson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos “Curtinho” ganharam prata em 1972, nos Jogos de Heidelberg, Alemanha.
Competem na bocha paralímpica portadores de necessidades especiais que utilizem cadeira de rodas. A divisão do jogo estará de acordo com o perfil funcional dos atletas, que são divididos em quatro classes: BC1, BC2, BC3 e BC4. O termo BC significa Classificação da Bocha e suas numerações se referem a um determinado grau de comprometimento motor por parte do aluno.
O objetivo é lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca chamada de jack (conhecida no Brasil como bolim). É permitido o uso das mãos, dos pés ou de instrumentos de auxílio para atletas com grande comprometimento nos membros superiores e inferiores. Há três maneiras de se praticar o esporte: individual, duplas ou equipes.
Antes de começar a partida, o árbitro tira na moeda (cara ou coroa) o direito de escolher se quer competir com as bolas de couro vermelhas ou azuis. O lado que escolhe as vermelhas inicia a disputa, jogando primeiro o jack e uma bola vermelha. Depois, é a vez da bola azul entrar em ação. A partir de então, os adversários se revezam a cada lance para ver quem consegue posicionar as bolas o mais perto possível do jack. As partidas ocorrem em quadras cobertas, planas e com demarcações no piso. A área do jogo mede 6m de largura por 12,5m de comprimento.
Para ganhar um ponto, o atleta tem de jogar a bola o mais próximo do jack. Caso este mesmo jogador tenha colocado outras esferas mais próximas do alvo, cada uma delas também vale um ponto. Se duas bolas de cores diferentes ficam à mesma distância da esfera branca, os dois lados recebem um ponto. Vence quem acumula a maior pontuação.
As partidas são divididas em “ends”, que só terminam após todas as bolas serem lançadas. Um limite de tempo é estabelecido por “end”, de acordo com o tipo de disputa. A contagem começa quando o árbitro indica quem fará o lance até quando a bola para. Nas competições individuais, são quatro “ends” e os atletas jogam seis esferas em cada um deles. Nas duplas, os confrontos têm quatro partes e cada atleta tem direito a três bolas por período. Quando a disputa é por trios, seis “ends” compõem as partidas. Neste caso, todos os jogadores têm direito a duas esferas por parte do jogo.

Resultados
Classe BC1
1º lugar – Silvino (Joinville)
2º lugar – Diego (Joinville)
3º lugar – Joana (Itajaí)
Classe BC2
1º lugar – Gabriel (Baln. Camboriú)
2º lugar – Gilson (Itajaí)
3º lugar – Nivaldo (Itajaí)
Classe BC3
1º lugar – Paulo (São José)
2º lugar – Renato (Joinville)
3º lugar – Juliana (Itajaí)
Classe BC4
1º lugar – Alexandre (Itajaí)
2º lugar – Willian (Lages)
3º lugar – Luan (Timbó)

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