Esporte

Paixão pela velocidade

Piloto, navegadora e chefe de equipe compartilham a paixão pela velocidade e participam de Campeonato Brasileiro de Rally com equipe 100% pomerodense

1 de junho de 2015

Adrenalina em família
Ocorreu no último fim de semana, dias 21 a 23 de março, a etapa Pomerode da temporada do Campeonato Brasileiro de Rally de Velocidade. Nestes dias, Pomerode recebeu astros da velocidade para a primeira corrida do ano, marcada pela festa dos primeiros vencedores do ano. Duas categorias foram vencidas por pilotos catarinenses, o que aumentou a comemoração do público de Pomerode.

Rafael Tulio e Gilvan Jablonski venceram a categoria CBR 2 (carros de tração 4×2 e motor de até 1.600 cc). Já a dupla de Blumenau, Toninho Genoin e Maicol de Souza lideram todo o final de semana e garantiram a primeira colocação na categoria CBR 3 (carros de tração 4×2 e motor de até 1.600 cc – preparação standard).

Os gaúchos Ulysses Bertholdo e Marcelo Dalmut levaram a melhor na prova pela categoria CBR 1 (carros de tração 4×4). A coincidência entre os três vendedores, foi a regularidade, estando na ponta da categoria por praticamente todas as especiais disputadas em Pomerode. Com a vitória, cada dupla também assume também a liderança do Campeonato.

O Rally de Pomerode começou no sábado, com seis especiais e terminou neste domingo, com mais quatro trechos cronometrados. O final de semana teve tempo bom e pista seca, o que garantiu o espetáculo para o bom público que foi assistir a prova.

E para quem pensa que velocidade nada tem a ver com pomerodenses, muito se engana. Porque aqui, na cidade mais alemã do Brasil, uma família se move em busca de alta velocidade.

Élcio Lange, que até 2010 era piloto, hoje é chefe de equipe e presta assistência a três veículos neste Campeonato Brasileiro. O primeiro deles é o de sua equipe, composta pela dupla familiar Gerson Alberto Lange como piloto e irmão de Élcio e sua esposa, Rafaela Trapp, como navegadora. As outras duplas são compostas pelo pomerodense Felipe Mueller/Felipe Costa e Alexandre Silveira/João Vitor.

A experiência de Élcio em Rallys começou em 2006 quando, abandonando o circuito de automobilismo, correu pela primeira vez com seu irmão. Em 2005, ocorreu o primeiro Rally em Pomerode e fui assistir com meu irmão. No ano seguinte participamos da competição e em 2007 já fomos campeões da Copa Peugeot, frisa.

Em 2008, a dupla campeã também participou, mas sofreu um acidente onde, após o terminal de direção quebrar, o veículo não responder aos comandos e ir reto em uma curva. Esse acidente ocorreu em Ribeirão Preto, quando o carro incendiou em um matagal e perdemos o veículo, equivalente a R$38 mil, lembra.

Em 2009, Élcio voltou às pistas, mas com uma novidade, sua esposa Rafaela como navegadora. Neste ano, nós ficamos em segundo lugar, após, na penúltima etapa, o pneu furar, explica.

Então, desde 2010 Élcio participa dos campeonatos prestando apenas assistência. Nesta função eu efetuo a manutenção dos veículos, pois eles ficam aqui na cidade o ano inteiro. É minha responsabilidade, também, fazer a revisão preventiva e pós-etapa nos carros. Além disso, sempre os acompanho durante as etapas com a oficina móvel, no motorhome, comenta.
Para Élcio, participar deste campeonato é levar para o Brasil o nome da cidade, a marca e a satisfação de possuir uma equipe 100% pomerodense.

E falando da prova em Pomerode, os pilotos podem, um dia da prova, efetuar o reconhecimento do trecho. Para isso, no entanto, é preciso utilizar um carro comum e não ultrapassar os 60km/h. É nessa hora que piloto e navegador classificam o caminho e pontuam as dificuldades, completa.

Esta e outras funções são de incumbência do navegador. Neste caso, a experiente navegadora Rafaela que desde 2008 exerce a função. E, apesar de ser incomum, a sua presença é respeitada de forma exemplar. Claro que alguns integrantes de outras equipes olham para mim e estranham a presença, mas isso logo passa, ainda mais que nesta etapa eu era a única mulher, afirma.

E a paixão pela velocidade nasceu quando? Da convivência com o marido, claro. Sempre convivi e acompanhei o Élcio, então a convivência me fez gostar. Eu me sinto segura dentro do carro e sei dos riscos que a alta velocidade pode proporcionar, mas a confiança entre piloto e navegador não abala o desenvolvimento da prova, conta.

Rafaela também conta que se sente a vontade navegando e mostra seu caderno repleto de anotações que efetuou para realizar a prova. Não é difícil de compreender, mas é preciso ser exato, pois não se admite erros. O navegador é fundamental para a prova, ressalta.

Medo não faz parte do cotidiano de Rafaela que, apesar de já ter vivido momentos de tensão, pretende exercer a função até quando conseguir. No mesmo trecho em que meu marido e cunhado sofreram o acidente em que o carro incendiou, eu e Élcio também tivemos momentos de tensão. Isso porque, ao anunciar uma curva, eu o fiz com um pouco de antecedência e por conta disso, colidimos de leve em um barranco e o carro ficou em duas rodas. Foi quando pude ver o chão próximo ao meu rosto, mas Élcio conseguiu voltar o carro e apenas entramos no canavial. Logo voltamos para a prova, lembra.

E com adrenalina nas veias, a navegadora sabe que não há momento para enjoos. Ser navegadora é nunca passar mal durante a leitura ou a prova. Eu sempre fui forte nesse sentido e não largarei a função tão cedo, completa.

E, na mesma família, Gerson Alberto Lange estreou como piloto. Sempre fui navegador e essa foi a minha primeira etapa como piloto, conta.

Em 2007, sua estreia nas pistas como navegador, ao lado do irmão. Em 2008, o acidente e nos dois anos seguintes a função foi mantida, mas com pilotos de outros estados. Em 2011, a participação em três etapas. Em 2012, uma dupla pomerodense composta por Felipe e Gerson que acabou se tornando campeã. E no ano passado, mais duas etapas. Todas as competições como navegador.

No entanto, com a vida é feita de desafios, em 2014 foi a vez de voltar a formar uma equipe familiar, mas desta vez como piloto. Fiquei muito nervoso e tenso, principalmente na sexta-feira, minha primeira vez como piloto. No sábado ainda estava nervoso, mas isso também passou, conta.

Atingindo o objetivo, que era de concluir a etapa, a dupla composta por Gerson e sua cunhada Rafaela conquistou boa colocação. Podemos dizer que tivemos 100% de aproveitamento e nosso objetivo agora e completa o campeonato, afirma.

O gosto pelas competições de velocidade, também teve influência de Élcio. Sempre gostei de velocidade, mas me apeguei mais com a vivência do meu irmão, lembra.

Par ao sucesso em rallys de velocidade, Gerson é enfático: é preciso ter sintonia entre piloto e navegador. Meu irmão sempre me diz que o piloto domina, mas que o navegador são seus olhos. E, por isso, é preciso ter muita confiança, completa.

A próxima etapa do Campeonato Brasileiro do trio agora é em Erechim, no Rio Grande do Sul, em maio, onde podemos esperar outros grandes resultados.Confira fotos da oitava edição do Campeonato Brasileiro de Rally de Velocidade, realizado nos dias 21,22 e 23 de março.

FOTOS: IVAN KOCH/JP

 

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