Profissional fala sobre doping
Santiago Júnior repercute caso Anderson Silva no UFC, que pegou os fãs e amantes das artes marciais de surpresa
O dia 28 de dezembro de 2013 ficou marcado na história do UFC, maior evento das Artes Marciais Mistas. Neste dia, caiu uma lenda do esporte, que acumulava recordes e uma invencibilidade de chamar atenção. O brasileiro Anderson Silva, o Spider, que detinha por sete anos o cinturão dos pesos-médios, sendo 16 vitórias consecutivas e dez defesas de título, acabou sucumbindo ao norte-americano Chris Weidman no UFC 162, em Las Vegas, nos EUA. Spider acabou fraturando sua perna esquerda no 2º round.
Após uma recuperação de mais de um ano, ao 39 anos, a lenda do UFC voltou ao octógono no último final de semana no UFC 183. Silva venceu Nick Diaz por decisão unânime. Mais do que a vitória, o que mais se comenta entre o duelo entre os dois atletas foi o teste positivo de doping do Spider. A notícia, confirmada na última terça-feira, dia 3 de fevereiro, repercute no mundo do MMA e ascende novamente a discussão sobre o uso de substâncias proibidas no esporte. Silva deu positivo no exame antidoping após serem encontrados metabólitos de drostanolona e androsterona. O exame foi feito antes da luta, no dia 9 de janeiro.
Santiago Júnior, um dos nomes mais importantes quando o assunto é suplementação alimentar, prestando consultoria para três empresas do ramo, além de palestrante e ter atuado também como personal trainer e professor universitário, explica que o Anderson usou uma droga chamada Masteron, que é muito utilizada por profissionais bodybuilders que é a drostanolona, derivada do DHT. “Anabolizante é tudo que gera anabolismo, ou seja, construção. Comida é anabolizante. Esteroides anabolizantes são hormônios sintéticos a base de testosterona. A testosterona com propriedade anabólica visa apenas o aumento de massa muscular. Só que ela não tem propriedade androgênica. As drogas androgênicas tem como função o aumento de força, virilidade e carácter masculino. O que os atletas fazem é combinar essas duas substâncias”.
Santiago comenta que a técnica mais utilizada no exame antidoping é feito pela urina, pegando o atleta de surpresa no treinamento. “Recolhe-se a urina de 15 a 20 dias antes e no dia da competição, provavelmente depois da luta e pós competição. Existe também a técnica do suor, sublingual e do cabelo”. Santiago, que presta consultoria na suplementação e na atividade física na Gracie Gym, em Florianópolis, que possui mais de 80 atletas de alto nível, além de estar envolvido com os irmãos Nogueira, uma parceria na preparação física e suplementos do Minotauro e Minotouro, lembra que o ser humano sempre buscou alternativas para elevar sua performance e capacidade, não só física, mas também mental e em algumas culturas até espiritual. “A partir do momento que se criou as olímpiadas modernas, começaram as nações a duelarem para disputar qual seria a mais forte. Quando você pega grandes potências e tem um treinamento muito igual, uma alimentação parecida, espionagem e troca de informação em termos de metodologia do esporte, praticamente forma atletas com o mesmo nível. E ai busca-se formas de você elevar esta performance”.
O começo do doping
Conforme Santiago, o doping surgiu durante a Guerra Fria, quando mulheres da Alemanha Oriental entravam para competir com barba, glotes de maior proporção e começaram a ver que estas mulheres estavam se desfigurando. “Tinha algo errado e a Alemanha Oriental varreu as olímpiadas junto com a Rússia. Ali, surgiu o primeiro conselho antidoping onde detectou que elas tinham altos níveis de testosterona. De lá para cá, a testosterona foi proibida de ser utilizada em qualquer modalidade esportiva, com exceção do fisiculturismo”.