A paixão pela música, que se transformou em dedicação às fanfarras
Coordenadora da fanfarra da Escola Erwin Curt Teichmann fala sobre trabalho com alunos na escola e início na função
Foto: Joana Prochera / JP
O gosto pela música foi o que aproximou a coordenadora de fanfarra Vera Lúcia Selke da prática nas escolas de Pomerode. Em época de preparação e do tão esperado Desfile Cívico de 7 de Setembro, a coordenadora da fanfarra da Escola Erwin Curt Teichmann destacou o quanto é importante estimular as fanfarras e aproximar os jovens da prática.
A professora e coordenadora comenta que sua relação com a fanfarra começou devido ao gosto pela música, que existe desde a sua infância. “Sempre estive ligada à música, até hoje. Quando era criança gostava muito de ouvir música, de todos os tipos e, em um determinado momento, me foquei mais no rock. Gosto de Scorpions, Van Halen, a batida deles sempre me chamou a atenção. Por isso, eu estava sempre batucando, e queria tocar bateria, mas na época não pude, então aprendi a tocar violão. Desde então eu e a música sempre tivemos uma relação”, conta Vera.
Em sua época de estudante, quando cursava as séries finais do Ensino Fundamental, no Colégio Doutor Blumenau, Vera tentou ingressar na fanfarra da escola e conseguiu. “A partir dali a fanfarra também passou a ser uma constante no meu dia a dia”, afirma.
E mesmo depois de formada, a participação na fanfarra não deixou a vida de Vera. Em 1987, ela começou a trabalhar como professora na Escola Olavo Bilac e, na mesma época, passou a ser a coordenadora da fanfarra da instituição. Além da escola de Testo Central, Vera também foi coordenadora das fanfarras da Escola Hermann Guenther e da Escola Prudente de Morais.
Quando retornou a Testo Central, desta vez para trabalhar na Escola Erwin Curt Teichmann, Vera teve um papel fundamental na criação da fanfarra da instituição de Ensino Médio.
“Vim trabalhar aqui em 2015 e, na época não havia fanfarra. Então fizemos um projeto, para comprar os instrumentos, e em 2016 foi o primeiro ano em que a Erwin foi com uma fanfarra da própria escola no desfile. Hoje, nossa fanfarra é composta em parte por cerca de 23 pessoas, com nossos alunos, e também com membros que são ex-alunos ou ex-professores”, comenta.
Os ensaios da fanfarra da Escola Erwin Curt Teichmann acontecem durante o ano às terças-feiras. E quando chega o mês de agosto, um período mais próximo ao Desfile Cívico de 7 de Setembro, os ensaios passam a ser às terças e sextas-feiras.
“Temos toques diferentes dos tradicionais, pois trazemos inspirações da música, com a batida aplicada em nossos toques. Nossa ideia é mostrar que, por mais que o grande acontecimento para a fanfarra seja o Desfile de 7 de Setembro, é possível trabalhar a fanfarra no decorrer do ano”, explica.

Foto: Joana Prochera / JP
A coordenadora da fanfarra também comenta que a fanfarra agrega na formação dos alunos e também promove a socialização entre eles, para que se habituem a trabalhar e conviver em grupo, além de promover o aprendizado musical.
“Sempre digo que, como a nossa fanfarra é diferente no sentido da construção dos toques, estar aqui é uma coisa diferente. O convívio com os alunos muda e, mesmo sendo professora, é uma relação diferente e algo muito legal. Sempre fazemos um encerramento no fim do ano, da fanfarra, e ano passado fomos jogar boliche. Mas, também, a fanfarra é um projeto da escola, não é algo distinto dela, então conseguimos trazer os jovens para perto de nós, principalmente aqueles que gostam de música e não têm onde praticar”, enaltece Vera.
Outro objetivo para a coordenadora da fanfarra da Escola Erwin Curt Teichmann é estimular a confiança dos alunos em si mesmos, mostrando de uma forma diferente o quanto são capazes de tornar as coisas realidade.
“Nós temos um toque baseado em uma música do Olodum com Paul Simon e, quando eu trouxe a proposta desta música como base de um dos nossos toques, de início eles ficaram apreensivos, pensando se conseguiriam aprender ou não. Mas eu sabia que todos poderiam aprender o toque e fazê-lo bem. Esta é uma ideia, também, mostrar a capacidade e o potencial deles, que é possível fazer. É preciso que alguém os lembre, constantemente, do potencial que cada um deles possui. Além disso, a ideia pode vir da gente, mas a construção do toque é coletiva, então trabalhamos também o grupo, mostrando o quanto eles são importantes uns para os outros”, frisa Vera.
Ainda segundo a coordenadora, em ano anteriores, foi possível observar a mudança nos alunos desde quanto entram, até o fim do ano. Segundo Vera, a interação entre eles melhora, e até alunos com dificuldades de aprendizagem, conseguem aprender perfeitamente os toques e se desenvolvem.
Outro ponto destacado pela professora é o estímulo à participação na fanfarra, para que seja algo para a vida, e não apenas na época escolar. Desta forma, a ideia é que as fanfarras das nossas escolas possam continuar e sempre fazer bonito quando há apresentações.
“Temos o exemplo da Josi, que é uma das integrantes da nossa fanfarra. Quando eu comecei a trabalhar na Olavo Bilac, ela era aluna das séries finais e participou da fanfarra. Ela ficou alguns anos afastada, mas quando começamos o projeto, nós a chamamos para ajudar, e ela aprendeu a tocar corneta para suprir uma necessidade que tínhamos em anos anteriores. A Josi é um exemplo, que o estamos fazendo por eles agora, talvez daqui a 20 anos, um deles esteja aqui coordenando a fanfarra. E assim trazemos cada vez mais pessoas para o interesse das fanfarras, e talvez conseguimos garantir no futuro as pessoas que coordenarão as fanfarras nas escolas”, enaltece.
