Dia das Mães: amor incondicional de mãe na adoção e na gestação
Rosinete B. P. Buss fala sobre relação com os filhos, adotada e biológico, e em como a sintonia entre eles também se construiu
Rosinete e seus filhos, Carolina e Marlon. (Foto: Arquivo pessoal)
Ser mãe do coração, muitas vezes, é uma missão desafiadora para quem a assume e para Rosinete B. P. Buss, adotar foi a oportunidade de preencher um espaço que antes estava vazio em sua vida.
Ao adotar a primeira filha, Carolina P. Buss, há 26 anos, Rosinete experimentou pela primeira vez o sentimento de amor incondicional de uma mãe. “A Carol nasceu no mês de setembro e, quando ela tinha apenas 24 horas de vida, já veio para o nosso colo. Seu nascimento foi em uma cidade da Serra Catarinense e, assim que ela ganhou alta, já ficou conosco. Eu me lembro de chegar em casa, coloca-la em nossa cama e então cair no choro, pois estava começando a cair a ficha de que, partir daquele momento éramos pais”, relembra Rosinete.
A educadora aposentada comenta que, logo após o nascimento de Carolina, ela e o marido, Mario César Buss, iniciaram os procedimentos legais para confirmar a adoção da menina. Inicialmente, Carol foi registrada com o nome da mãe biológica, mas depois logo foram realizados os trâmites necessários em um processo de adoção, até que ela fosse registrada como filha de Rosinete e Mario.
E quando este momento chegou, segundo a mãe, foi como se tudo se encaixasse em seu devido lugar. “A Carol chegou a nossa casa e preencheu todas as ‘gavetas’ vazias. Eu e meu marido estávamos há quase 10 anos tentando engravidar, e ela completou tudo, encheu a casa de amor, de carinho, de família, de visitas. Nunca havíamos recebido tantas visitas em casa, como quando ela nasceu, até porque nossa família é da região de Braço do Norte, mais ao sul do estado. Então, éramos apenas nós dois aqui, vivendo em função do nosso trabalho, sem muita motivação, e a Carol nos trouxe esta motivação”, declara Rosinete.
Desde os primeiros meses e anos de vida, Carol sempre ouviu de seus pais a verdade sobre a sua chegada à família e como tudo havia acontecido, por isso cresceu sabendo que era “uma filha do coração”, mas que possuía o amor incondicional de seus pais.
O casal sempre ouvia de médicos que a única chance de terem filhos seria por meio de uma inseminação, então Rosinete e Mario se dedicaram a poupar dinheiro, a fim de realizar o sonho de serem pais. No entanto, quando chegou a hora de realizar a inseminação, souberam pelo médico que havia apenas 20% de chance de dar certo.
“Ao ouvir isso, acabei desistindo da inseminação e passamos a investir o dinheiro em nossa casa. Quando a reforma em nossa casa estava quase finalizada, a adoção da Carol deu certo e este foi só o início das bênçãos em nossa vida, pois cerca dois anos depois da chegada da nossa primogênita, eu descobri que estava grávida”, revela.
Rosinete teve uma gravidez de risco, sofreu com a pré-eclâmpsia, e seu segundo filho nasceu com seis meses. “Ele sofreu com algumas complicações, mas hoje meu filho, Marlon, já está com 23 anos e está muito bem. Mesmo com pouco tempo de gestação, tivemos uma preparação bem intensa. Ao longo de seis meses, tiramos a Carol do berço e colocamos em uma cama que ela ajudou a escolher, e ela participava de tudo, explicamos para ela o porquê, tudo falávamos para ela e explicávamos como seria. Desde o primeiro banho que dei nela, eu dizia que ‘Papai do Céu trouxe você para nós e você é nossa filha do coração’. Quando ela deixou o berço para ir para a cama, explicamos que era necessário porque o ‘mano’ dela iria chegar, e que ele era ‘um presente que ela estava dando ao pai e à mãe’, porque ela veio primeiro e, já que ela foi o presente de Jesus para nós, o Marlon seria um presente dela para nós, e que ele traria um presente para ela. Quando ele nasceu, meu marido comprou um presente, levou para o Hospital e, assim que ela veio nos visitar, entregamos o presente ‘que o mano havia trazido para ela’”.
Segundo Rosinete, os dois filhos desenvolveram uma relação muito próxima, com uma conexão espiritual profunda e verdadeira.
“Os dois tem um carinho, um amor, um pelo outro, que eu não consigo explicar. Quando ele era menor, todas as noites, era a Carol quem precisava dar um beijo de boa noite para o Marlon e até hoje eles são assim, conectados e preocupados um com outro. É uma cumplicidade muito bonita, sempre com um torcendo pela felicidade e sucesso do outro”, destaca.
“Tivemos muitas coisas boas de criança, brincar na rua, ter casa na árvore, e várias atividades de criança, nossa infância foi muito rica. Para mim o sentimento é de amor incondicional, como qualquer relação entre pai e filho. Se eu paro para pensar, parece que não é verdade que sou adotada, de tão tranquilo e natural que sempre foi”, complementa Carol.

Família Buss celebra o amor e a cumplicidade. (Foto: Arquivo pessoal)
Rosinete admite que tanto a adoção de Carolina, como o nascimento de Marlon foram experiências difíceis, mas que tudo valeu a pena, apesar da luta e do esforço necessários. “Eu e meu marido estamos colhendo os melhores frutos, pois nunca um filho levantou a voz para nós, nunca nos desrespeitaram. Nós sempre tentamos corrigir as ações erradas deles, nunca passamos a mão na cabeça, se errassem em algo. É claro, que também erramos como pais e alguns momentos, é claro, não somos perfeitos, mas sempre agimos com a intenção de não errar com nossos filhos. O que eu admiro é que eles têm confiança de que conseguem fazer algo, e realmente fazem, o que representa que eles conseguem se virar, caso não estejamos aqui, então sabemos que os preparamos para o mundo”.
A educadora aposentada também ressalta que, desde o momento em que Carol chegou à família, bem como no nascimento de Marlon, houve acolhimento por parte da família e da sociedade, como um todo, o que tornou tudo ainda mais leve e natural. Ela também comenta que a adoção é uma experiência única e muito difícil de ser traduzida em palavras.
“Adoção é muito especial e eu acredito que todas as pessoas deveriam passar por esta experiência. Admito que houve um tempo em que pensei que não conseguiria amar uma criança que não fosse minha, mas foi natural e, quem me impulsionou muito para tornar isso possível foram as crianças da educação infantil da escola onde eu trabalhava, pois estar com elas me fazia pensar que eu poderia sim, amar uma criança que não fosse minha. É um amor que não é possível explicar ou definir em palavras, ultrapassa os limites de outras experiências. Quando a Carol chegou, nem pensamos mais em tentar engravidar, pois ela preencheu tudo, deixou nossa família completa, mas foi uma surpresa estar grávida. A Carol trouxe harmonia, carinho, e preencheu as gavetas vazias, como eu disse. Tínhamos casa, carro, empregos estáveis, tínhamos atingido nossos objetivos e faltavam os nossos filhos, por isso, nossa primeira filha é uma bênção, a consagração”, enaltece.
Por fim, Rosinete destaca que cada uma de suas experiências de maternidade foram únicas, mas que não existe distinção do amor que sente por seus dois filhos.
“Neste período todo de me preparar para ser mãe, construir uma casa, uma família, ter filhos, foi um processo longo. Ser mãe do coração é muito especial e só quem adota sabe, é um sentimento único, fora da curva. Sentimos que sempre precisamos fazer mais, proteger mais, cuidar mais, dar mais carinho, mas não é nada imposto, vem naturalmente. O que nos deixa felizes, também, é que a Carol nunca questionou o passado dela, quem eram os pais biológicos, e toda a história. Marlon também nunca questionou o porquê da adoção, como ela veio, para ele sempre foi natural e certo. E graças a Deus a Carol veio, pois ela ensinou muito ao Marlon, ela o estimulava na infância e foi muito importante no desenvolvimento do irmão. Por tudo isso, posso garantir que sou muito realizada e feliz como mãe”, finaliza.
