Tradição do Tiro pode estar no alvo
Projeto de Lei de deputado do PR pode enfraquecer costumes da região.
Um projeto de lei que proíbe a participação de crianças e adolescentes em práticas de tiro tem revoltado os integrantes da modalidade. A proposta é do deputado Florisvaldo Fier (PT-PR) e tramita na Câmara. A medida quer estabelecer pena de três a seis anos para diretores, gerentes e funcionários de clubes, academias e outros locais que aceitarem menores, mesmo acompanhados, nas aulas.
O deputado alega que “a admissão indiscriminada de crianças e adolescentes pode gerar situações perigosas para a sociedade, como potenciais delinquentes e até candidatos a terroristas treinados.”
Se aprovado, o projeto alteraria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Estatuto do Desarmamento.
Rolf Nicolodelli, vice-presidente da Associação dos Clubes de Caça e Tiro de Pomerode, questiona como os atletas irão se formar no esporte, já que a preparação para um atirador profissional leva, em média, cinco anos.
“O Brasil sempre teve bom desempenho no tiro, e nunca ouvi falar que qualquer um desses atiradores tenha matado alguém. Pelo contrário, são pessoas calmas, educadas e que sempre tiveram apoio da família”, reforçou.
Pomerode é conhecida nacionalmente pela força que tem nesse esporte, que inclusive recebe o apoio do Governo Municipal. O presidente da Fundação Promotora de Eventos, Esporte e Lazer (Funpeel), Arlindo Ewald, considera a proposta do deputado infundada. Ele conta que o tiro é uma tradição, mantida desde as primeiras gerações não só da cidade, como de toda a região. Em Pomerode, são 16 Clubes de Caça e Tiro. Hoje, todos eles têm a prática de tiro ativa no município.
Frank Utech, diretor de Esportes da Funpeel, diz que o Tiro é uma forma de incentivar os jovens a participarem dos Clubes, por que a cultura dessa prática está morrendo; tendo em vista que hoje existem outras atrações que despertam o interesse dos jovens, como a internet e o vídeo game, por exemplo.
O deputado admite que ao apresentar a proposta não lembrou dos jogos que usam armas. Por este motivo, alega que exceções serão apresentadas para não prejudicar a prática do esporte. De acordo com ele, o objetivo do projeto é impedir o aumento da criminalidade entre jovens.
“Não quero impedir quem participa desta modalidade. A preocupação é quanto a lugares obscuros que fazem treinamento com armas, onde qualquer pessoa aprende a matar. Os autores de crimes estão cada vez mais novos. É preciso dificultar o acesso deles a esses lugares”, declara o deputado.
Porém, para um dos representantes estaduais da modalidade nos JASC, Edson Volkman, que pratica o tira há 14 anos, a medida do deputado paranaense é infeliz. “Essa ideia vem contra o objetivo dos clubes. Aqui em casa toda a minha família pratica a modalidade e representamos o Estado também, meus filhos de 21 e 18 anos, praticam o esporte desde os 12 anos, e nem por isso foram para o caminho da criminalidade”, explica. Volkmann reforça a ideia dizendo que o esporte é praticado de forma legal, com alvará do Exército Brasileiro, registro na delegacia, e ainda salienta que os praticantes da modalidade precisam inclusive de aval psicológico.
Para ele, que vê o Tiro como uma forma de integração familiar, se a lei for aprovada, este será o “início do fim” dos Clubes.
Léa Lohse Alvarenga, vem de uma tradicional família que participa das atividades dos Clubes de Caça e Tiro, em Pomerode. “O meu pai já participava, depois entraram meu esposo, irmã e cunhado. Não atrapalhou em nada, pelo contrário, apenas serviu para unir ainda mais a família com este gosto em comum.
Para ela, se o projeto for aprovado, “ele inviabilizará a existência da maioria dos clubes de caça e tiro no futuro, pois o mais comum é que os jovens comecem a apreciar o esporte antes mesmo de completarem 18 anos, acompanhando seus pais nos treinos e campeonatos. Existe ainda uma grande possibilidade de não mais se interessarem pelo esporte, pois nessa idade ele já possuem outros interesses”, ressalta.
Como a tradição é forte na família, sua filha de três anos, acompanha também as festividades dos clubes. Ela acredita que a prática não influencia no desenvolvimento da criança e do adolescente.
“Os clubes de caça e tiro possuem um ambiente familiar, pois as pessoas que os frequentam estabelecem laços de amizade. Os jovens que praticam esta modalidade de esporte são sempre monitorados por adultos e acabam aprendendo que a arma deve ser utilizada apenas nos estandes de tiro”, explica.
E reforça: se a filha quiser participar ela terá todo o apoio da família.
Dossiê será entregue ao Legislativo Estadual
Rolf Nicolodelli, vice-presidente da associação dos Clubes de Caça e Tiro de Pomerode, disse que na próxima semana vai entregar um dossiê a alguns deputados, representantes da tregião, sobre o trabalho e sobre as atividades do Tiro. Na quarta-feira (09/01), esteve na cidade o deputado federal Peninha. Na ocasião, Nicolodelli aproveitou para mostrar a essência do Tiro para que o Deputado possa defender os Clubes na Câmara.
A intenção de Rolf é entregar o dossiê, em primeira mão ao deputado Peninha, e depois para todos os outros deputados. O dossiê é do Estado, ou seja, clubes de toda Santa Catarina que estão relacionados com suas práticas atuais. Além disso, ele frisou sobre a obrigação dos clubes em relação a legalidade dos clubes junto ao Exército, fato que traz ainda mais segurança aos praticantes da modalidade.
Questionado sobre o tema, Peninha expôs sua opinião: “Sou contra essa ação, por ser da região do Alto Vale onde os clubes existem, por ser cultura e tradição. Essa é uma maneira saudável dos jovens absorverem uma atividade saudável. Na prática da atividade há disciplina, não há estímulo à violência”.
Nas redes Sociais, o Jornal de Pomerode realizou uma enquete com a seguinte pergunta:
O que você acha do projeto de lei do deputado Florisvaldo Fier (PT-PR), que pretende proibir a participação de crianças e adolescentes em práticas de tiro?
Josiele Wagenknecht Rolf Karls:
Já não temos muitos jovens nos clubes de caça e tiro e ainda querem acabar com a participação dos jovens nas competiçoes, nao acredito nisso!
Alessandra Luize Knoch:
Ridículo, pq esta pratica faz parte da cultura alemã.
Sandra Busarello:
Que coisa mais ridícula..tem muita coisa pra esse tal de deputado se preocupar..é pra acabar..quanta idiotice.