Um mês em tons laranjas e vermelhos
Campanhas de Junho Laranja e Vermelho são diretamente relacionadas e visam conscientização sobre Leucemia e doação de sangue
Foto: Envato Elements
Duas campanhas correlacionadas, que ganham destaque ao longo do sexto mês do ano. As ações do Junho Laranja e do Junho Vermelho, de conscientização a respeito da Leucemia e da Doação de Sangue, respectivamente, estão diretamente relacionadas e promovem a conscientização da população acerca da importância da atenção à Leucemia e à forma como o ato de doar sangue pode ajudar quem enfrente a doença.
A família da menina Manuela Glau, moradora de Pomerode, e hoje com 11 anos, é um exemplo de como a boa ação de doar sangue pode fazer a diferença para o tratamento de uma pessoa com Leucemia.
Diagnosticada com a doença em dezembro de 2016, Manuela recebeu apoio da família e de padrinhos, que realizaram uma campanha de incentivo à doação de sangue. Além de ser fundamental para a recuperação da Manu, a campanha também contribuiu com o Hemosc, que recebeu um bom reforço em seus estoques, graças à ação em prol da menina.
A mãe, Tatiana Glau, relembra que Manu tinha apenas quatro anos quando a doença foi descoberta.
“Fomos para o hospital porque estávamos achando ela muito branca e ela tinha alguns hematomas roxos nas pernas, que achávamos serem normais, porque ela batia as penas aqui e ali, mas já eram sinais da doença, tanto que os médicos achavam que poderia ser uma infecção viral ou Leucemia. No dia 02 de janeiro de 2017 veio a confirmação”, conta.
Felizmente, Manu pôde ser tratada apenas com a quimioterapia, sem a necessidade de um transplante de medula. Mas a doença, além de impactar diretamente na vida da menina, ainda nova, mudou completamente a rotina dos pais.
“No começo foi um susto enorme, eu parei de trabalhar para ficar em prol dela. Como eram muitas idas ao hospital, eu não tinha como trabalhar. Os piores momentos, sem dúvida, foram quando recebemos a notícia, porque ficamos sem chão. Você não sabe o que vai acontecer, como seria dali para frente. E também quando ela pegou uma bactéria no cateter e teve uma febre muito alta. Naquela vez, ficamos 21 dias direto no hospital. Mas graças a Deus e aos médicos, ela foi considerada curada após terminar os protocolos de quimioterapia e fazer o mielograma. Recebemos a notícia em março de 2019” revela Tatiana.

Manu e sua família comemoram a superação da doença. (Foto: Arquivo pessoal)
Parte do tratamento da menina foi com o recebimento de transfusões de sangue e, para isso, os padrinhos da Manu organizaram uma campanha, que foi um sucesso.
“Muita gente se dispôs e foi doar sangue, tanto que até o pessoal do Hemosc veio agradecer, porque, no começo do ano a demanda é muito baixa, devido às festas de final do ano. A gente tem só que agradecer a todos que nos ajudaram de alguma forma, tanto com doações de sangue, que ajudaram não só a Manu, mas muita gente, quanto com brinquedos, máscaras para Manu durante o tratamento, também. Já faz quatro anos que a Manu terminou as quimioterapias e ainda está com acompanhamento, que são consultas a cada seis meses e os exames estão todos normais”, comemora a mãe da menina.
O Coordenador do Serviço de Hematologia do Hospital Santo Antônio e Diretor Técnico do Hemosc, Dr. Allysson Rafael Fabris, explica que existem duas formas de leucemia: aguda ou crônica.
As leucemias agudas, que são doenças extremamente agressivas, necessitam de quimioterapia em caráter de urgência e posterior avaliação para transplante de medula óssea.
Já as leucemias crônicas podem ser tratadas com medicação via oral e, dependendo do tipo, como a leucemia linfoide crônica, pode ser acompanhada sem necessidade de tratamento por anos por um hematologista.
“Leucemia é uma neoplasia (nova formação de células) do sangue, ou seja, um câncer do sangue, e existem vários tipos. A doença nasce na medula óssea, que é ‘a fábrica do sangue’, onde as células sanguíneas são produzidas. Os sinais e sintomas da doença surgem devido ao funcionamento anormal na produção de células do sangue e pela proliferação de células características da doença, os blastos. Anemia, sangramentos, infecções e aumento dos gânglios linfáticos (as populares ínguas) são os sintomas mais comuns”, enumera o Coordenador do Serviço de Hematologia do HSA.
O tratamento para casos de leucemia depende exatamente do tipo diagnosticado. As leucemias podem acometer qualquer idade, porém existem alguns poços de incidência, segundo o Dr. Allysson Fabris. Segundo o especialista, a leucemia linfoide aguda é a neoplasia mais comum nas crianças, enquanto a linfoide crônica a mais comum em idosos.

Dr. Allysson Rafael Fabris, Coordenador do Serviço de Hematologia do Hospital Santo Antônio e Diretor Técnico do Hemosc. (Foto: Divulgação)
E são nos casos mais sérios, de leucemia aguda, que a doação de sangue pode ser fundamental para a vida de um paciente. “Nos casos de leucemia aguda a doação de sangue é extremamente importante para o tratamento. Como a medula óssea não funciona de forma correta com a doença a transfusão de sangue, plaquetas, em determinados casos plasma e fibrinogênio vai manter o paciente enquanto a medula restabelece sua função normal”, esclarece o Dr.
O especialista enaltece, ainda, que o diagnóstico precoce da leucemia, assim como em outras doenças, pode ajudar na obtenção de melhores resultados no tratamento, evitando ou reduzindo complicações.
“A pergunta que mais escuto dos pacientes com leucemia ‘é como isso surgiu?’ A leucemia é uma doença poligênica, ou seja, vários genes estão envolvidos e os fatores ambientais estão associados. Então não tem um evento único que cause a leucemia. É a interação da nossa carga genética com o nosso modo de vida que desencadeia a doença. Bom sono, alimentação saudável e atividade física regular é o que podemos fazer para a prevenção”, frisa.
Junho Vermelho
A humanidade comemora em 14 de junho o Dia Mundial do Doador de Sangue, data definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em homenagem ao imunologista Karl Landsteiner, responsável por descobrir o fator RhD. No Brasil, o Ministério da Saúde definiu em 2015, a Campanha do Junho Vermelho para incentivar as doações voluntárias de sangue.
Segundo o Hemosc (Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina), durante o inverno é comum os estoques de sangue baixarem por conta do frio, das doenças respiratórias e férias escolares. Mas quem precisa de sangue não pode esperar.
O Hemosc é responsável por 99% do sangue coletado e transfundido em Santa Catarina e todas as suas bolsas possuem o mesmo padrão de qualidade.
A necessidade de sangue seguro é universal. Afinal, o sangue é essencial para diversos tratamentos e intervenções urgentes de todos os tipos, ajudando pacientes que sofrem de condições de saúde com risco de morte. Além de apoiar procedimentos cirúrgicos complexos e ter papel essencial nos cuidados maternos e neonatais. Há pessoas que precisam deste líquido precioso durante toda a sua vida, como por exemplo os portadores de talassemias e anemia falciforme. Um suprimento que só pode ser garantido por meio de doações regulares e voluntárias.
Nos primeiros cinco meses de 2023, mais de 50 mil pessoas doaram sangue. E há necessidade de aumentar esse número.
Por isso, com o slogan “Junho Vermelho: conectando você com a solidariedade”, a rede HEMOSC deseja mobilizar a população geral e a imprensa, para que todos reflitam sobre a importância desse ato solidário que salva vidas e tornem essa ação uma rotina de cidadania.
“O Hemosc faz a conexão entre os que doam o sangue e os que precisam dele, e isso é feito por nós muita qualidade, responsabilidade e respeito. Esperamos os doadores para termos um inverno com os estoques de sangue adequados”, comenta Patrícia Carsten, diretora-geral do Hemosc.
No site do HEMOSC estão as principais informações sobre os requisitos para a doação, locais e horários de atendimento para que sejam realizados os agendamentos. www.hemosc.org.br .
Atualmente, segundo os dados do Hemosc, os tipos A-, A+, O- e O+ são os classificados com estoque reduzido e, por isso, de maior necessidade do Centro.