Companhia Trip Teatro celebra a tradição do teatro de bonecos em Pomerode com apresentações gratuitas
O grupo promove apresentações gratuitas e abertas ao público do espetáculo Kasperl e a Cerveja do Papa, que já foi encenado em Pomerode no final dos anos 1950 por Hildor Edgar Emmel
Foto: Divulgação
A relação de Pomerode com o teatro de bonecos popular alemão será revivida nos próximos dias.
Uma das companhias mais antigas de teatro em atuação no Estado, a Trip Teatro, com sede em Rio do Sul, passa pelo município entre sexta-feira e sábado, com o objetivo de valorizar a tradição do teatro de bonecos e fomentar a formação de plateias.
O grupo promove apresentações gratuitas e abertas ao público do espetáculo Kasperl e a Cerveja do Papa, que já foi encenado em Pomerode no final dos anos 1950 por Hildor Edgar Emmel, da comunidade luterana.
Contemplando todas as idades e com atuação e manipulação de Willian Sieverdt e trilha sonora de Rodrigo Fronza, a nova versão, com um Kasperl mais provocativo, será apresentada em Pomerode, dias 9 de setembro, às 20h, no Teatro Municipal e 10 de setembro, às 18h, no Alles Park. A turnê pelo Vale do Itajaí contemplou ainda outras duas encenações em Blumenau realizadas em agosto.
Para a companhia responsável, a iniciativa é uma forma de incentivar o teatro popular como característica da identidade regional. Isso porque, apesar de o teatro de bonecos popular ser patrimônio cultural do Brasil, com as experiências de grupos da região Nordeste, também teve impacto no Sul. Esteve presente no cotidiano de famílias imigrantes da região nas décadas de 1950 e 1960.

“Nas minhas pesquisas sobre teatro, descobri que apresentações de espetáculos de teatro de bonecos já aconteciam na região, as referências mais fortes são de Pomerode e Jaraguá do Sul, na metade do século passado”, comenta o ator Willian Sieverdt, idealizador da Trip Teatro. Sieverdt buscava alguma ligação entre sua profissão de artista de teatro de bonecos e a região.
“Sempre lamentei que em Santa Catarina não havia Mamulengo. O teatro de bonecos popular de luva, como aqueles tão populares no Nordeste do Brasil, era algo distante. Essa descoberta traz uma nova perspectiva para a região”, acredita o artista.
Além de ofertadas de forma gratuita ao público, as apresentações do projeto de circulação da peça Kasperl e a Cerveja do Papa no Vale do Itajaí são acessíveis em Libras, em prol de uma arte inclusiva, buscando contemplar as pessoas com deficiência, em especial, as pessoas cegas e surdas. A estimativa é atender a cerca de 1200 pessoas, no total.
O projeto foi contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Apoio à Cultura – Edição 2021, executado com recursos do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC). Entre os objetivos da iniciativa, a intenção é qualificar as experiências culturais e turísticas em Santa Catarina.
Sobre a peça
O espetáculo Kasperl e a Cerveja do Papa se volta para a notícia da visita do papa num antigo mosteiro, conhecido por produzir a melhor cerveja da região. A montagem se concentra nas confusões e desdobramentos decorrentes deste anúncio. Resulta de uma ampla pesquisa feita pela companhia, incluindo busca de referências e trabalho de campo na Alemanha, com investigações iniciais em 2003.
Em 2019, o espetáculo foi lançado. Além de permitir um olhar para o passado desta manifestação popular, a produção contempla ainda outro aspecto cultural e econômico catarinense, presente sobretudo no Vale do Itajaí: a cultura cervejeira. A obra contribui para evidenciar o fazer cervejeiro artesanal e sua interface com o turismo e a economia criativa.
Mas a indicação etária do espetáculo é livre, tendo como alvo o público familiar, pois não estimula o consumo, mas, destaca os saberes ligados à sua produção.
Uma curiosidade é que os bonecos integrantes da peça pertenciam a um acervo original do final do século XIX. Com duração de 45 minutos, a montagem da obra contou com a cooperação internacional do Museu Casa de Los Títeres, da Espanha, que doou à Trip Teatro uma coleção original de bonecos alemães do final do século XIX . Teve a direção de Paco Parício, respeitado diretor e pesquisador da cultura popular na Europa.