622 ocorrências: estelionato foi o crime mais praticado em Pomerode, em 2024
Ao todo, o município contabilizou o registro de mais de 2,8 mil ocorrências no ano passado
Foto: Arquivo JP
Estelionato. Este foi o delito que mais teve boletins de ocorrências registrados em Pomerode, ao longo dos 12 meses de 2024, segundo a Polícia Civil. O número representa cerca de 22% dos 2.830 registros de ocorrências feitos em Pomerode, ao longo do ano passado e cerca de 38,6% dos chamados fatos típicos, ou seja, fatos que são considerados ilícitos penais.
Também segundo os dados da Polícia Civil, dos mais de 2,8 mil registros de ocorrências feitos em Pomerode, 1.334 foram realizados por meio da delegacia virtual. A cidade também registrou três crimes mais graves, sendo dois feminicídios e um homicídio, quebrando um intervalo de mais de três anos sem registro deste tipo de crime em Pomerode.
Veja, no gráfico abaixo, quais foram os crimes registrados em Pomerode, de janeiro a dezembro de 2024, de acordo com a Polícia Civil:

Arte: Jornal de Pomerode
Números de estelionatos chamam a atenção
Levando em consideração os dados fornecidos pela Polícia Civil ao Jornal de Pomerode, é possível concluir que 1/3 de todas as ocorrências registradas em Pomerode em 2024 são de estelionatos.
Segundo o delegado de Polícia Civil, Dr. Jhon E. Lamb, ainda no ano passado, foi iniciado um trabalho de conscientização da população acerca dos cuidados para evitar ser vítima de um crime de estelionato. No entanto, mesmo com as ações de conscientização e parceria com a mídia, o estelionato ainda é um crime que possui números significativos em Pomerode.
“Nesta modalidade de crime, percebemos que as vítimas são residentes em Pomerode, mas os autores são de fora do município. Este é um elemento que torna ainda mais complexa a investigação destes casos, tendo em vista que, às vezes, são utilizados dados falsos, até mesmo de outras vítimas para registro de aparelhos telefônicos, de linhas, de contas bancárias e chaves PIX. Em um primeiro momento da investigação, quando a vítima acaba transferindo este dinheiro, fazendo contato com determinado terminal, a primeira camada de quebra de sigilo na investigação, acaba apontando para indivíduos que não são efetivamente os autores do crime, são laranjas, pessoas que tiveram seus documentos utilizados e foram envolvidos na prática criminosa”, explica o delegado.
Com o registro do crime e a primeira etapa de rastreio dos autores do crime, a Polícia Civil busca realizar uma série de quebra de sigilos, que dependem de autorização judicial, para que a investigação tenha seguimento, a fim de que seja possível identificar quem seriam os autores do crime.
No entanto, segundo o Dr. Jhon Lamb, o maior problema é que as medidas, devido à questão legal de depender de autorização judicial, além da burocracia no fornecimento das informações à polícia, tornam a investigação um processo lento e, na maioria das vezes, não é possível recuperar efetivamente o patrimônio que foi perdido pela vítima neste golpe.
Um dos exemplos mais comuns de estelionatos é a triangulação da comercialização de veículos. Esta modalidade ocorre quando a pessoa conversa com alguém pensando que está comprando um veículo e paga para um terceiro, que é o golpista. Outro caso comum é relacionado à locação de imóveis, e ocorre quando a vítima paga antecipado o valor de uma locação, para alguém que não é o locador do imóvel.
Mais uma modalidade que ainda ocorre com frequência é o golpe de uma falsa central de atendimento bancária. Nele, as pessoas são contatadas por falsos funcionários de bancos, mentindo que a pessoa estaria sendo vítima de um golpe e induzindo a vítima a passar dados bancários, permitindo acesso remoto, ou fazendo novas transferências de algum valor.
“Reiteramos que, sempre que a pessoa receber um contato desta forma, que é inesperado, antes de permitir acesso remoto, antes de clicar em links, antes de fazer compras em link patrocinados, que procure mais informações diretamente com as empresas e estabelecimentos bancários”, frisa o delegado.
