25 anos divulgando as coisas boas de Pomerode
Em qualquer setor de nossa vida, seja laboral ou pessoal, fazer 25 anos é um marco que deve ser valorizado, ainda mais pelas constantes mudanças e pelo desgaste natural que podem ocorrer ao longo do tempo. Na Festa Pomerana, muitas pessoas já atingiram esta marca com seus serviços prestados, o que contribui para a divulgação de nossa cidade pelo país afora.
Em qualquer setor de nossa vida, seja laboral ou pessoal, fazer 25 anos é um marco que deve ser valorizado, ainda mais pelas constantes mudanças e pelo desgaste natural que podem ocorrer ao longo do tempo. Na Festa Pomerana, muitas pessoas já atingiram esta marca com seus serviços prestados, o que contribui para a divulgação de nossa cidade pelo país afora. No entanto, quando falamos nas competições típicas, um nome se confunde com a própria comemoração alemã, pois metade de sua vida foi dedicada à divulgação destes costumes. Trata-se do professor de Educação Física, Luiz Carlos Xavier, o popular Lula, 52 anos, natural de Curitibanos e que trabalha em Pomerode desde agosto de 1988, vindo da cidade de Blumenau. Depois que me formei na Furb (Universidade Regional de Blumenau), prestei o concurso para aquela cidade. No entanto, surgiu a oportunidade de trabalhar na Escola José Bonifácio, substituindo o professor Beto. Foi assim que iniciei os meus trabalhos por aqui, conta.
Em janeiro do ano seguinte (1989), o professor tomou conhecimento da Festa Pomerana, uma oportunidade de manter-se ativo no período do recesso escolar, além de complementar a sua renda. Em início de carreira, você sempre precisa de um dinheiro a mais, por isso me interessei em trabalhar na Festa. No primeiro ano, eu atuei como segurança. Só que, durante aquele serviço, eu sempre observava um caminhão onde aconteciam as competições típicas, que parava no meio da festa e servia como palco. Era o que eu realmente queria fazer, pois como sempre fui lúdico e adorava teatro e a interação com o público, com certeza, eu me encaixaria bem nessa função de apresentador, ressalta Lula. Os anos de experiência na Oktoberfest, trabalhando como cronometrista, também iriam contribuir para este novo desafio que estava se propondo a encarar.
Como o destino é caprichoso, já em 1990, o sonho estava prestes a se tornar realidade, uma vez que a equipe que comandava as competições típicas passaria por mudanças. Falei com os responsáveis na época, entre eles, Waldemar Wiesner e Valmor Kamchen, sobre a minha vontade de ajudar e eles me apoiaram. Então, iniciei na locução das competições que, a partir daquele ano, começaram a ser disputadas em um local fixo, não mais em cima do caminhão. Assim que assumiu o posto, o professor já começou a pleitear algumas mudanças. Segundo ele, naquela época, era preciso procurar competidores, pois não havia premiação para todos que participassem, apenas para os campeões da noite, o que acabava desmotivando as pessoas. Por exemplo, o indivíduo caía na lagoa e não ganhava nada por isso, era um pouco frustrante. Felizmente, pouco tempo depois, conseguimos colocar esta premiação para todos os participantes, o que valorizou ainda mais as disputas, pois elas são um dos brilhos da festa. Todos devem se sentir estimulados, acrescenta.
Outro fator importante para o sucesso das competições típicas é que todos, em cima do palco, são colocados no mesmo patamar, desde o colono que mora no interior, até um executivo de uma multinacional. Lá, o astro não sou eu, nem a equipe, mas sim, o participante, que quer se reconhecido pelos seus feitos, além do público, que passa uma energia excepcional. Conforme Lula, se cada um for valorizado, todos crescem juntos. Nunca trabalhei para me engrandecer, mas sim, porque gosto do que faço de maneira muito espontânea. Sempre busquei o melhor, mas sem prejudicar ninguém, dentro do respeito das regras. E isto também acontece em cima daquele palco, completa.
Conhecimento de causa – Durante a festa, o público vibra, torce e se emociona com os competidores. O que pouca gente sabe é que, para que tudo saia perfeito, há uma grande preparação dias antes. Nesse quesito, o professor pode se considerar um privilegiado, pois como trabalhou com isso durante a sua infância, a identificação foi instantânea. Além de estar apresentando, eu também entendo do serviço pesado, pois a equipe precisa preparar tudo antes do início da festa. Atualmente, uma pessoa realiza a escolha e o corte das árvores, que servem como matéria-prima para as competições. No entanto, há alguns anos, quem fazia esse serviço era minha equipe e eu. Nesta época, era preciso se deslocar até à Prefeitura para disponibilizar uma Toyota e adentrar ao mato. Era um processo demorado, mas eu sempre estive presente, até porque eu me criei em serraria na cidade de Curitibanos, relata.
Por isso mesmo, a equipe de trabalho compreende muitas pessoas, para que tudo saia corretamente, afinal, quando há tomada de tempo envolvida, tudo deve ser o mais preciso possível. Como em tudo na vida, as competições evoluíram, por isso, não há como trabalhar em apenas duas pessoas, como acontecia antigamente. Principalmente nas finais, as diferenças são muito pequenas, por milésimos de segundo, por isso o processo deve ser perfeito. Já imaginou os serradores tendo que fazer o serviço novamente, por causa de uma falha? Então, a equipe precisa estar coesa e muito focada, o que realmente acontece nesse caso. Ela mudou algumas vezes ao longo dos anos, mas sempre desempenhou as suas funções com muita alegria e competência, pelo qual serei eternamente grato, enfatiza.
Na questão da evolução, segundo Lula, a cobertura midiática em cima das competições e da própria Festa Pomerana também contribuiu para este fato, pois as informações são instantâneas e se propagam numa velocidade impressionante. O participante quer ver a sua foto estampada no jornal ou circulando pelas redes sociais. Outro fator do sucesso é o comprometimento de todos em prol da festa, desde a organização até os colaboradores, passando pelo pessoal dos clubes e das diversas associações. Quem ganha é o município, que vê a sua economia sendo movimentada durante esses dias, ressalta. Além disso, as datas específicas, como o da Terceira Idade e o Aniversário do município, nos quais os pomerodenses têm entrada gratuita, também contribuem para o incremento de visitantes. A festa possui um público fiel, porque quem vem uma vez, com certeza volta. Tudo me motiva a continuar fazendo o meu trabalho da melhor forma. Não é pelo dinheiro que se ganha, mas pelo prazer de ajudar a festa, completa.
Marca registrada – Em suas apresentações, o carisma, a interação com o público e o bom humor estão sempre presentes. O professor garante que esta bagagem vem da sua época de infância, quando a TV ainda era o único meio de entretenimento. Trabalhar desta maneira é uma coisa natural. Quando eu era garoto, assistir televisão na minha cidade era um evento extraordinário, pois não tínhamos acesso. Além disso, a TV era muito distante do telespectador, fazendo dele um mero espectador. Hoje em dia esse aspecto mudou, pois há uma maior interação da mídia com o cotidiano das pessoas. Na apresentação das competições, procuro manter o mesmo aspecto, uma vez que o participante, bom como o público, estão fazendo parte do processo naquele momento. Lula acrescenta que, de certa maneira, há uma pressão em cima do competidor, seja ele turista ou não. Por isso você deve ser o mais descontraído possível, deixando as pessoas à vontade e interagindo com o público, pois sem ele, não existe festa.
Durante essas duas décadas e meia, muitos personagens já subiram ao palco e muitas histórias foram vivenciadas. Lula destaca algumas delas, lembrando que nunca aconteceu nenhum acidente mais grave. Só alguns competidores que, na empolgação, se desequilibraram e caíram, mas retomaram a disputa logo após. Posso destacar também os que perderam ou ganharam por uma diferença de milésimos de segundo, ou ainda, uma ocasião em que uma dupla estava serrando, parou no meio do trabalho e trocou de lugar, além de um que serrou solitariamente. Mas o que mais me deixa satisfeito é que, nesses 25 anos, todos os que participaram das competições, o fizeram com muita alegria. Essa é a fórmula do crescimento e evolução natural, ressalta.
No entanto, uma passagem ficará para sempre gravada em sua memória. Como todos sabem, cada um tem seu estilo e nós aprendemos muito. Exemplo disso é um moço que, um dia, foi cortar com o machado e pediu para que virássemos a tora. Questionei e ele respondeu que queria cortar primeiro o lado que pegou menos sol e estava mais úmido, pois teria que colocar mais força no começo, deixando a parte mais ‘fácil para o fim. Ele simplesmente olhou para o tronco e já sabia de suas características. É este tipo de detalhe incrível que você não imagina que possa existir, mas que o cidadão, do alto de sua simplicidade, possui conhecimento.
O professor também tem a resposta na ponta da língua quando indagado sobre o motivo de as competições chamarem tanto a atenção do público. Para ele, existe o atrativo local, pelo fato de muitos dos competidores ainda trabalharem com isso no interior e buscarem seus 15 segundos de fama. Outro fator são os turistas, que não vivenciam essa realidade em uma cidade grande. Muitos deles nem sabem o que é uma serra, como esse processo acontece, por isso ficam fascinados com o resgate deste tipo de tradição germânica. Além disso, existe uma rivalidade entre clubes de caça e tiro, bairros e até mesmo entre famílias, que vem se formando ao longo do tempo, o que incrementa ainda mais as competições, destaca.
Lula, nestes 25 anos, também criou alguns hábitos, como por exemplo, colecionar alguns pedaços de madeira utilizados nas brincadeiras típicas. No meu apartamento, eu tenho 12 vasos com plantas e todo ano, coloco embaixo deles uns pedaços de tora, como forma de recordação pelos bons momentos vividos na Festa Pomerana, conta. Nesta comemoração, o apresentador oficial comenta que o dia em que perceber que acabou o encanto de trabalhar na festa, ele vai encerrar suas atividades. No entanto, revela que este dia está longe de chegar. A cidade de Pomerode me recebeu de braços abertos e se você faz o bem para as crianças e adolescentes, como é a minha profissão, você também estará fazendo a mesma coisa para os adultos e para o município. Por isso eu procuro sempre dar o meu melhor para a cidade, divulgando as suas coisas boas, o que faz com que o sucesso seja uma consequência. Neste momento, só tenho a agradecer a todos que me auxiliaram e que os próximos 25 anos sejam tão felizes quanto foram estes últimos, finaliza.